Carlos Eduardo Miranda: O mundo musical perde um ícone!

Por Deca Pertrini

Faleceu nesta quinta feira (22), aos 56 anos, o músico, jornalista cultural, produtor e executivo de gravadora, Carlos Eduardo Miranda.  A informação confirmada por amigos próximos, é de que Miranda sofreu um mal súbito por volta das 20h nesta quinta-feira (22), apenas um dia após seu aniversário. O produtor sentiu uma forte dor de cabeça e, em seguida, deitou-se em seu quarto, onde faleceu. Ele deixa a mulher e uma filha pequena.

A carreira de Miranda não se resume apenas a de jurado de reality shows musicais Ídolos (2006-2007), Astros (2008-2012), Qual é o Seu Talento? (2009-2012) e Esse Artista Sou Eu (2014). Sua importância para a música foi vasta, sendo um dos produtores musicais mais respeitados do rock/pop brasileiro.

Tocou teclado e sintetizador em bandas gaúchas, entre elas a Urubu Rei.

Fez parte da equipe da extinta Bizz, sendo considerado um dos mais polêmicos críticos musicais da revista, por causa de suas resenhas de discos e artistas, que dividiu opiniões.

Junto com o Titãs, lançou, no início dos anos 90, o Banguela Records (selo fonográfico da gravadora Warner Music Brasil), sendo responsável pelo lançamento de algumas das principais bandas de rock brasileiro do período, seja através de álbuns próprios, seja por coletâneas. O selo durou apenas 2 anos (de 1994 a 95), sendo que em 1995 teve seu trabalho continuado pelo selo Excelente Discos, da gravadora Polygram.

Raimundos foi o primeiro álbum através do Banguela Records, sendo que esse disco está na lista de trabalhos independentes mais vendidos na história do país.

Miranda na epoca do Banguela Records (Arquivo Pessoal)

Além de Raimundos, como produtor musical, revelou grandes sucessos do rock nacional como Skank, O Rappa, Virgulóides, Blues Etílicos, Cordel do Fogo Encantado, Cansei de Ser Sexy, Móveis Coloniais de Acaju, MQN, Mundo Livre SA e o primeiro disco da Graforréia Xilarmônica, Coisa de Louco II.

Como diretor musical, foi responsável pelo lançamento de um dos melhores álbuns de 2016, a estreia da carioca Mahmundi e pelo disco de estreia da cantora paraense Gaby Amarantos – lançado em 2012, Treme, estourou no Brasil com o hit “Ex Mai Love”.

Miranda foi diretor artístico da Trama, gravadora independente que nasceu da sociedade entre o músico e compositor João Marcello Bôscoli e o grupo Vale Refeição.

Responsável pelo selo Matraca, uma divisão da Trama, Miranda lançava com o selo as bandas que apostava, identificando assim os seus projetos. O CD do pernambucano Otto (“Samba pra Burro”) e o disco do Câmbio Negro -homônimo- , foram campeões de vendas na época.

Deixou o posto de diretor artístico do selo em 2001: “Desliguei-me para me dedicar a projetos da Trama Filmes e uma gravadora virtual que vamos criar”, disse na época a Folha de SP.

Sendo assim, criou e dirigiu o Trama Virtual, junto de Bôscoli, no mesmo ano, como um braço estratégico de divulgação da gravadora Trama. O site foi a vitrine de milhares de artistas nacionais que não tinham espaço (nem dinheiro) para divulgar seu trabalho, sendo um dos pioneiros da distribuição de artistas independentes por MP3, permanecendo no ar de 2002 a 2013.

O serviço permitia que bandas e artistas independentes, que não conseguiam um contrato com a gravadora divulgassem seus trabalhos gratuitamente, sem limite de faixas. O surgimento de sites mais atualizados e dinâmicos levou ao encerramento das atividades.

O documentário “Sem Dentes: Banguela Records e a Turma de 94”, do jornalista Ricardo Alexandre, conta em detalhes o sensacional trabalho de Miranda com o rock brasileiro. Confira o trailer:

Miranda foi diretor geral do espetáculo “Terruá Pará”, que é uma mistura dos diversos ritmos que compõem o cenário musical paraense.

Em 2014, foi um dos produtores escolhidos pela Skol, para ser o responsável pelo selo Tralalá (indie). A ideia do projeto era ir além da produção e acompanhar de perto toda a evolução de quem fosse contratado para compor o time. Com verba exclusiva de marketing, o Skol Music cuidou dos lançamentos fonográficos, da imagem, da divulgação, distribuição e marketing dos artistas selecionados.

Em 2015, foi curador das noites de terças do Sesc Pompéia, o Prata da Casa.

Nas redes sociais, amigos do produtor prestaram homenagens:

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