DAVID BOWIE MORRE AOS 69 ANOS

É com um grande pesar e uma tristeza sem fim que a ON STAGE LAB começa seu conteúdo editorial em 2016 com essa notícia. O mundo está ficando mais vazio e suas maiores estrelas estão indo morar onde devem: no universo.

Após o mundo da música finalizar o ano com a inestimável perda de Lemmy KilmisterMotörhead, começamos 2016 perdendo David Bowie para uma guerra de dezoito meses contra o câncer. Representantes do artista confirmaram a morte do artista, de 69 anos hoje, mas o falecimento aconteceu ontem (9). Veja nota oficial completa abaixo:

“David Bowie morreu em paz hoje, cercado por sua família após uma corajosa batalha de 18 meses contra o câncer. Enquanto muitos de vocês deverão compartilhar essa perda, nós pedimos que respeitem a privacidade da família durante o seu tempo de luto”.

O cantor, compositor e produtor teve uma carreira sem precedentes e se destacou em diversos estilos musicais como glam rock, arte rock, soul, hard rock, dance pop, punk e música eletrônica durante sua eclética carreira de mais de 40 anos. Ele tinha acabado de lançar o seu 25º álbum, “Blackstar”, na última sexta-feira, dia 8 de janeiro, data do seu aniversário.

A grande explosão na carreira de Bowie veio com o disco “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars”, lançado em 1972. Nele, Bowie traçava um paralelo entre a noção de rockstar e alienígenas. Ele foi o pioneiro na criação de alter egos, com o nascimento do andrógeno Ziggy Stardust.

Três anos mais tarde, Bowie conseguiu seu primeiro grande sucesso com o single número um “Fame”, do seu disco “Young Americans”, seguido de “Golden Years”, single do seu álbum mais avant-garde, “Station to Station”, de 1976. A verdade é que Bowie colecionou sucessos e atingiu o topo das paradas em diversas ocasiões. Na lista de hits estão “Let’s Dance”, “Space Oddity”, “Heroes”, “Changes”, “Under Pressure”, “China Girl”, “Modern Love”, “Rebel, Rebel”, “All the Young Dudes”, “Panic in Detroit”, “Fashion”, “Life on Mars” e “Suffragette City”.

Seu físico magro, seu visual diferenciado, seus olhos de cores diferentes, sua atitude, tudo foi favorável para que Bowie construísse uma sólida carreira não só como cantor, mas como um artista completo que sempre foi. No cinema, seus papéis foram curiosos, bizarros e alguns até mesmo controversos: em 1976, Bowie interpretou um alienígena em busca de ajuda para seu planeta em “The Man Who Fell to Earth”, de Nicolas Roeg. A crítica também foi ao delírio com seu papel no musical “The Elephant Man”, em 1980. Entre outros filmes, Bowie estrelou “Just a Gigolo”, “Merry Christmas Mr. Lawrence”, mas foi sua encarnação de Pôncio Pilatos em “The Last Temptation of Christ”, de Martin Scorsese que alavancou sua carreira como ator. Logo depois, veio seu maior sucesso nas telonas, com o cultuado filme “Labyrinth”, ao lado de ninguém menos que Jennifer Connelly. São incontáveis as participações de Bowie no cinema, e mais recentemente, ele fez uma ponta em “Zoolander”, e, em 2006, interpretou brilhantemente Nikola Tesla em “The Prestige”.

Reise ins Labyrinth, Die USA 1986 Regie: Jim Henson Darsteller: David Bowie Rollen: Koboldkoenig Jareth

Mais ainda: Bowie sempre vislumbrou adiante e usou em diversas ocasiões a tecnologia em seu favor, sendo a primeira grande estrela da música a ter um provedor de serviços de Internet, com o lançamento de BowieNet em 1998. No quesito sexualidade, nosso camaleão sempre esteve um passo à frente do seu tempo. Ainda nos anos 70, para promover Ziggy Stardust, Bowie revelou ser gay. Depois, revelou sua bissexualidade, mas sempre foi e voltou nessa declaração por diversas vezes em sua carreira. A verdade é que nem mesmo os biógrafos que escreveram sobre a vida do artista tinham certeza da sua sexualidade, embora Bowie sempre tenha deixado bastante claro que uma de suas missões como artista era quebrar tabus pelo mundo.

A versatilidade de David Bowie ainda foi mais longe, e ele passou a produzir uma série de artistas como Lou Reed, Iggy Pop e The Stooges e Moot the Hoople, para quem escreveu a canção “All the Young Dudes”. Ele chegou a ser homenageado com um Grammy. Polêmico, nunca mais havia subido aos palcos, quando, em 2013, sem o menor aviso, lançou “The Next Day”, causando uma verdadeira tempestade nas redes sociais, o que o impulsionou nas paradas, chegando ao segundo lugar na Billboard 200. Foi aí que a demanda por uma nova turnê surgiu e especulações sobre valores e a falta de vontade de Bowie de pegar a estrada novamente ficou no ar. Ele estabeleceu residência em Nova Iorque, mas foi raramente visto por aí.

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Bowie abriu recentemente o musical de rock “Lazarus” em Nova Iorque, no qual ele revisitava a personagem que interpretou em “The Man Who Fell to Earth”. O projeto, baseado no romance sci-fi do escritor americano Walter Tevis, foi retomado por Bowie, que há muito tempo alimentou a idéia de um retorno ao personagem que interpretou nas telas.

Com o lançamento do clipe de “Lazarus”, David Bowie deixou bem claro para os fãs que sabia de sua morte iminente. A letra do recém-lançado clipe diz “olhe aqui para cima / eu estou no céu”. Ele também já diz que não tem nada mais a perder e diz que “voará como um pássaro azul”. O último trabalho de estúdio de Bowie foi gravado enquanto ele fazia seu tratamento contra o câncer que o matou. Tony Visconti, o produtor do disco, afirmou que essa gravação foi o presente de despedida do cantor, algo que ajudou a tranformar sua morte em uma obra de arte. E a capa, ironicamente, possui apenas uma estrela preta e nada mais; foi a primeira da carreira do artista sem seu rosto.

David Bowie deixa a esposa, a modelo Iman, com quem se casou em 1992; seu filho, o diretor Duncan Jones; e a filha Alexandria. Sem contar milhões de fãs e incontáveis artistas órfãos das mais incríveis referências artísticas de que se tem notícia na nossa geração.