Depeche Mode recompensa ausência de 24 anos com show inesquecível em São Paulo

Por Deca Pertrini

Finalmente, após praticamente 24 longos anos de espera, o Depeche Mode se apresentou no Brasil com a sua Global Spirit Tour.

Nesta terça-feira, 27, o trio inglês se apresentou no Allianz Parque, para aproximadamente 25 mil pessoas, já que houve uma configuração com o palco quase no meio do campo, reduzindo assim a capacidade. Segundo a organização do evento, todos os ingressos disponíveis foram vendidos.

A abertura ficou por conta do DJ paulistano Gui Boratto, que é compositor, multi-instrumentista e produtor de música eletrônica com quatro álbuns em sua discografia: “Chromophobia” (2007), “Take my Breath Away” (2009), “III” (2011) e “Abaporu” (2014), indicado na categoria de melhor álbum eletrônico no 26º Prêmio da Música Brasileira. O DJ agitou, com seu som eletrônico, o público que chegava ao estádio, mesmo sob forte chuva.

Pontualmente, às 21:45hs, a tão aguardada atração da noite subiu ao palco já mandando: “We are not there yet/ We have not evolved/ We have no respect/ We have lost control/ We’re going backwards”… “Going to Backards”, faixa que abre o disco mais recente Global Spirit Tour, 14º álbum de estúdio da banda. O disco foi lançado em 17 de março do ano passado pela Columbia Records, diante das dúvidas geradas a partir da eleição de Donald Trump, do Brexit e dos movimentos políticos extremistas crescendo por toda a Europa.

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A última passagem do grupo pelo Brasil aconteceu nos dias 04 e 05 de abril de 1994, com a “Exotic Tour”, na extinta casa de shows Olympia, em São Paulo. Na época, os integrantes atravessavam as suas piores fases: Alan Wilder ( tecladista e baterista ) fazia a sua última turnê, Andy Fletcher alegou problemas e não acompanhou a banda no país, sendo substituído por Daryl Bamonte, ex- roadie do DM, Martin Gore tinha convulsões e viajava acompanhado de seu psicólogo e, para piorar, o vocalista Dave Gahan se afundava no vício de drogas pesadas, como cocaína e heroína, sendo considerado clinicamente morto por dois minutos após uma overdose, até que os paramédicos o ressuscitassem, em 1996.

O Sex Symbol que ingressou em uma clínica de reabilitação, alega estar livre dos vícios e o Depeche Mode sobreviveu, cresceu e enche estádios por todo o mundo.

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Formado por Dave Gahan, Martin Gore e Andy Fletcher, donos de um estilo muito próprio, o grupo mantém uma média de um álbum a cada quatro anos.

Durante 2 horas, com um setlist que mesclava os clássicos com produções do novo trabalho, o disco “Ultra” (1997) foi o mais lembrado.

Crédito: Marcelo Rossi

Gahan, um autêntico frontman teatral, mostrou energia e hiperatividade de menino, estabelecendo uma conexão ágil com os braços para o ar, adicionados às suas caras e bocas e passos de dança, trazendo uma performance bem diferente da do resto da banda, ajudando assim, a dar várias características às letras sombrias de Martin Gore.

Não tem como não destacar o baterista Christian Eigner, que trouxe uma pegada mais pesada às músicas.

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Com um misto repertório de tristeza e euforia, a sequência de hits chegou na metade da apresentação, como a clássica “Enjoy the silence”, que durou quase dez minutos.

Iniciando o bis, o afinadíssimo Martin Gore ocupou o microfone em algumas das melhores músicas da noite, sendo a belíssima “Strangelove” uma delas, em uma emocionante versão acústica, para a surpresa do público presente. Em seguida vieram “Walking In My Shoes”, “A Question of Time” e para finalizar a apresentação, “Personal Jesus”.

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Na maior parte do tempo, o público assumiu a segunda voz, acompanhando Gahan e Gore em um belo coro, tornando a noite muito, mas muito mais especial.

Uma das bandas mais influentes de todos os tempos já vendeu mais de 100 milhões de discos e tocou para mais de 30 milhões de fãs ao redor do mundo.

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O show no Brasil encerrou com chave de ouro a turnê que teve início em 2017 (Europa e EUA) e que nesse ano passou pela Cidade do México, Bogotá, Lima, Santiago e Buenos Aires.

Setlist
Going Backwards
It’s No Good
Barrel of a Gun
A Pain That I’m Used To (Jacques Lu Cont remix)
Useless
Precious
World in My Eyes
Cover Me
Insight
Home
In Your Room
Where’s the Revolution
Everything Counts
Stripped
Enjoy the Silence
Never Let Me Down Again

Bis:
Strangelove
Walking in My Shoes
A Question of Time
Personal Jesus

Fotos: MRossi/ Midiorama/ Divulgação