Entrevista com Ingrid Berger, um dos principais nomes de produção de backstage do mercado

Por Deca Pertrini 
Foto de capa: Alex Oliveira

Produtora de eventos com mais de 25 anos no mercado, Ingrid iniciou nessa profissão como intérprete de bandas. Logo depois, passou a ser produtora executiva e, como sempre gostou de cuidar dos artistas e da parte de decoração e catering, acabou direcionando seu trabalho sempre para área de camarins e catering.

 Atualmente, Ingrid Berger é uma das principais produtoras de backstage do mercado, e seu trabalho é cuidar de toda a parte de trás do palco, como os escritórios de produção, camarins, catering , área de imprensa etc…

 Foi produtora de grandes festivais, como Free Jazz, Hollywood Rock, Tim Jazz, Monsters of Rock, Skol Beats, UMF, e por 20 anos trabalha como coordenadora de camarins no Rock in Rio (Lisboa, Madrid, Rio de Janeiro e Las Vegas) além de inúmeros shows internacionais como Madonna, Iron Maiden, Beyoncé, Rihanna, Alanis Morissette, Metallica, Paul McCartney, Elton John, Amy Winehouse e outros.

 Ingrid Berger ministra a aula do  Curso Especialista de Backstage – Um Curso Sobre Casa do Artista Atrás do Palco na On Stage Lab e nos concedeu essa entrevista.

01) Como foi o início da sua história no mercado do entretenimento?

Meu início se deu como intérprete de uma banda no primeiro Free Jazz, um amigo de faculdade me perguntou se eu falava bem inglês e se queria um trabalho de ser intérprete de uma banda internacional e assim foi e isso já tem quase 30 anos.

 02) Quem foram as pessoas que mais te influenciaram e apoiaram nessa jornada?

Primeiro foi a minha família, depois sou grata a Nico Gomes, Phil Rodrigues e a Maurice Hugdes, que me ensinarem tudo sobre a área de show business.

 03) Como foi o processo de efetivação da sua carreira? Quais foram as etapas?

Começei como intérprete, depois fui assistente de produção, depois produtora executiva, e até hoje trabalho como produtora de Backstage, isso por sempre gostar de cuidar da parte artística e principalmente as áreas de camarins, catering e salas de produção.

 04) Qual foi o primeiro grupo/artista para quem trabalhou? Como foi a experiência?

Meu primeiro grupo foi com o artista John Mc Laughlin, no festival Free Jazz e fui ser intérprete. No início não sabia bem o que fazer, mas acabei como babá de banda, acompanhando eles durante todo o período que ficaram aqui no Brasil.

05) Provavelmente você já tenha estremecido por estar trabalhando com algum artista ou grupo que admira muito. No início foi difícil se controlar e se mostrar 100% profissional, ou conseguia separar isso com facilidade?

Sim, o meu caso de ficar estremecida foi com o músico Eric Clapton, que eu sempre achei que ficaria sem fala e super nervosa em trabalhar com ele, mas quando ele chegou com sua banda, foi no período que ele estava muito mal, e chegou com cara de poucos amigos, de mau humor e todo amassado. Na hora perdeu todo o encanto, fiquei até chateada, mas na hora do show, a magia de estar junto com um artista que eu admiro muito foi incrível e até hoje lembro dessa experiência.

06) Nessa, como em qualquer carreira, há contratempos. Quais foram os que mais te marcaram? Como contornar situações desse tipo?

Muitos contratempos, desde chuvas, muito vento, atraso de voos, lembro de um show com Sting e James Taylor no Anhembi, em São Paulo, que choveu tipo 5 horas seguidas e tudo alagou, até os camarins. Os artistas acabaram ficando na minha sala até a hora do show, que esperávamos 10 mil pessoas e só chegaram umas 700, devido aos alagamentos ao redor do evento, foi terrível!!!!

Em um festival em Brasilia, em meio a um show, começou a ventar muito e tudo começou a voar, tivemos que cancelar o show no meio e desmontar tudo antes que as tendas e grades voassem pelos ares.

Além disso, em um Rock in Rio, um artista não queria entrar no show na hora combinada e atrasou o show por 3 horas, o público já estava super nervoso, começou a gritaria e a atirarem coisas no palco, e eu fui a pessoa que teve que ir ao palco para tentar acalmá-los.

07) Como avalia o atual campo profissional do Show Business?

Um mercado em franco crescimento agora com os novos cursos na área de entretenimento, mais pessoas vão ter o conhecimento e se especializar, gerando mais profissionais nessa área.

08) A ON STAGE LAB é a primeira escola especializada no mercado brasileiro que contém vários cursos, intensivos e extensivos. O curso que você ministra é o de Backstage. Conte mais sobre ele.

O meu curso de Produção de Backstage é voltado para toda a área de traz do palco, explica como fazemos a montagem de camarins, as salas de produção, o Catering, a sala de imprensa, a área VIP , mas enfim, toda a montagem da produção do evento que envolve os artistas, produtores técnicos e liga com a produção executiva do evento.

09) A quem se destina esse curso?

A todas as pessoas que estão já trabalhando na área de eventos, assim também como pessoas que gostariam de ter esse conhecimento.

 10) Há vários ex-alunos inseridos no mercado, graças aos cursos da ON STAGE LAB. O que significa isso para a escola e para o futuro da profissão?

Para On Stage Lab, primeiro é o reconhecimento na área de entretenimento, a cada dia ficando mais conhecida e para os alunos uma forma de chegar mais rápido ao mercado, visto que a escola dá essa oportunidade aos alunos de fazerem estágios em vários shows que acontecem na época dos cursos.

 11) Houve um aumento considerável de festivais no país. Qual a razão desse crescimento?

No Brasil é porque temos um público alvo que consome muita música, são jovens que hoje se identificam com festivais, vemos vários hoje que tem um público definido, como Rock in Rio ou Lollapallozza.

 12) Atualmente, o que representa o Brasil na rota dos grandes shows internacionais? Nitidamente nota-se tamanho progresso nas realizações desses shows. Qual a razão dessa conquista?

A venda de ingressos, não é por acaso que as grandes bandas sempre vem ao Brasil em turnês e às vezes vão a mais de 3 cidades diferente, temos um público que consome shows.

 13) E para finalizar, quais as dicas para os futuros profissionais da área de entretenimento?

Primeiro se capacitar, pois esse mercado é competitivo e quanto mais conhecimento adquirido melhor para conseguir entrar e o mercado está em franco crescimento.

Ingrid