ESPECIAL SEGURANÇA: REFLEXÃO SOBRE O ATO EM MANCHESTER

Por Renato Silva
BSS Team

O que fazer? Como se preparar contra um ato insano e destruidor como esse que aconteceu em Manchester? Com certeza são as perguntas que estão na cabeça de muitos nesse momento.

A realidade do terrorismo está presente em nossas vidas e com certeza uma hora eles elaborariam um plano como esse feito em Manchester. Atingir pessoas inocentes sempre foi a marca do terror para expressar sua raiva insana contra algum sistema, governo ou partido que se opõe ás ideias radicais que possuem.

Para nós profissionais de segurança que lidamos com vários tipos de ameaças não chegou a ser uma surpresa total, visto que por lidarmos com um grande número de pessoas em eventos e festivais sempre temos em mente que qualquer ato de violência cometido dentro ou nas proximidades de nossos eventos podem trazer consequências muito ruins e trágicas para todos.

18581884_1416112295113025_7581414346436335822_n

Agora teremos que viver também com esse fantasma que rondará todos os grandes eventos não só no Mundo como também aqui no Brasil, porque além do perigo real e imediato que podemos vislumbrar, ainda teremos os milhares de “copycats” ou copiadores que podem ter sido acordados por essa ideia insana e destruidora ocorrida em Manchester.

Teremos que a partir de agora pensar que além de tomar todas as providências necessárias para a realização de grandes eventos, teremos também que ficar atentos para a possibilidade, antes remota e agora possível, de acontecer conosco o que aconteceu com nossos colegas de profissão. Vamos ter que incluir em nossos planos de segurança e em nossas reuniões de pré evento com autoridades esse item nunca antes mencionado, pois de agora em diante toda área externa dos grandes eventos terá que ser vista de outra maneira, pois se provou que uma revista interna bem-feita antes do evento e uma revista de entrada rígida para itens não permitidos, não evita que um atentado como esse ocorra no perímetro externo e próximo ao evento que estejamos protegendo.

É claro que esse trabalho será quase que 100% realizado pelas forças de segurança pública de cada local, mas a Segurança Privada também terá que se preparar para esse novo tempo. Somente com a união de ideias e forças será possível combater ou, pelo menos, minimizar as consequências ou tentativas que possam surgir de hoje em diante.

Barreiras devem ser criadas em torno do perímetro de todos os grandes eventos com grandes aglomerações, uma visão mais apertada e uma desconfiança mais seletiva deve ser utilizada para identificar possíveis suspeitos nas imediações. Os acessos de saída precisam ficar mais protegidos e livres de pessoas no contrafluxo e o policiamento, se possível, ficar em uma altura acima do público para se ter um campo de visão privilegiado.

É claro também que todas essas medidas e outras que surgirão terão custos que impactarão diretamente na realização do evento. Os produtores terão que se adaptar, pois, com certeza, serão intimados a zelar pela maior segurança de seus clientes. Em algum momento isso terá que ser embutido no valor do ingresso final, ou seja, todos irão ter que pagar para ter mais segurança em seu lazer em virtude de possíveis atos que possam ser realizados contra eles mesmo.

Não pensem que tudo isso que estou falando irá se aplicar apenas em outros países onde o terrorismo é real, pois estamos no foco da indústria de Grandes Eventos e Produções a anos. O Brasil há cerca de 20 anos recebe as grandes turnês mundiais, sedia os grandes eventos esportivos e culturais e infelizmente podemos também atrair a imbecilidade de algum extremista ou grupos radicais que queiram fazer manchete com vidas inocentes.

A cada dia a realidade do Mundo chega mais perto de cada um de nós, e temos que ter a mesma visão e o mesmo compromisso que o Mundo e adotar medidas de proteção a todos, e pensar sim que teremos de lembrar o que houve em Manchester como um divisor de águas e pensamentos em nosso mercado de Segurança de Grandes Eventos.