GREG GRAFFIN, DO BAD RELIGION, FALA DE AUTOGESTÃO EM AULA ESPECIAL NO CURSO SHOWBUSINESS

Em turnê pela América Latina com o Bad Religion, Greg Graffin, vocalista do grupo, esteve na ON STAGE LAB para uma aula especial do CURSO SHOWBUSINESS – UM PANORAMA DO ENTRETENIMENTO AO VIVO. Ao longo de quase duas horas, Graffin falou sobre música pop, autogestão da banda, redes sociais e religião. Veja abaixo alguns dos principais momentos dessa aula mais do que especial.

Com 35 anos de experiência no mercado do showbusiness e o único membro a participar de todas as formações do Bad Religion, Greg sempre quis cantar e era fã de Michael Jackson e dos Jackson 5 quando criança. Sua grande oportunidade veio aos 10 anos, quando ganhou de um professor uma bolsa de estudos de música, e foi assim que ganhou a confiança necessária para criar a banda aos 15 anos e seguir carreira até hoje.

Ao ser perguntando sobre quando se deu conta da fama, Graffin é modestro: “Eu não me acho famoso. Consigo andar tranquilamente na rua e ninguém liga, e é ótimo poder ter essa liberdade mesmo depois de tantos anos de estrada.”

Durante a aula, dúvidas sobre a autogestão da banda acabaram o tema em central O Bad Religion possui atualmente um modelo incomum de negócios, já que eles mesmos gerenciam tudo ligado à banda e suas turnês. “Se você não tem um empresário, economiza pelo menos 20% da sua receita. E nós estamos confortáveis com isso, pois teria que valer muito a pena contratar alguém para aumentar essa receita.” Greg afirmou que não há uma fila de pessoas querendo empresariar o Bad Religion, já que ele sabe que, com todo esse tempo de estrada, o grupo já atingiu seu auge comercial e não irá muito além disso: “Nós sabemos que não somos e nunca seremos os Rolling Stones. E nem temos essa ambição! (risos).” Porém, ele também entende a importância de um empresário para bandas que estão começando, pois a figura pode ser essencial para aumentar a exposição do artista e conseguir shows, mas vale sempre ficar atento se o valor pago está realmente valendo a pena.

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Em relação ao público brasileiro, Greg foi só elogios. “O Brasil é um dos meus lugares favoritos no mundo para tocar. Existem países que não temos muita conexão, e a energia e o calor humano são essenciais para que a banda consiga fazer um bom show para o público. E o Brasil parece muito com Los Angeles, nossa cidade, então ficamos muito felizes de poder voltar e fazer essa turnê por aqui!”

Sobre as críticas feitas pelos fãs oldschool em relação ao público que estava assistindo a banda durante o Lollapalooza, que aconteceu no último final de semana, Greg afirma que existem tipos diferentes de show e de fãs: os que gostam de vê-los em casas pequenas, em festivais ou em ambos. E que ele não liga para os fãs que reclamam, pois o objetivo de um show em festival é sempre fazer com que mais pessoas conheçam a sua banda, além de permanecer fiel à sua visão e transmiti-la para a maior quantidade possível de pessoas, principalmente se você tiver algo importante a dizer.

Quando questionado por um fã sobre a coerência em ser uma pessoa religiosa que curte sua banda, Greg disse que não acha nem um pouco incoerente, pois isso acontece no mundo todo. Sua música fala sobre coisas sérias e faz mais questionamentos que afirmações: “Nós não passamos nossa carreira dizendo que não acreditamos em Deus. E em relação a nossos fãs, achamos interessante quando discordam de algo, pois não criamos uma linha de pensamento do tipo ‘você é um de nós ou um deles?’, e sim queremos que as pessoas reflitam, pensem por si mesmas e criem suas próprias opiniões e reflexões sobre o que estamos dizendo.”

Um dos traços da personalidade artística de Greg Graffin é sua forma de de ouvir música. E surpreendeu os alunos saberem que ele não ouve coisas novas: “Vocês ficariam surpresos com o quão pouco eu ouço de novos artistas. Passo tanto tempo criando conteúdo acadêmico que acabo fugindo de novidades e ouvindo sons mais antigos.” Isso influencia também em seu processo de composição, já que ao invés de ter mais referências e se inspirar no que está sendo feito atualmente na música, ele prefere se isolar e não se influenciar por novidades.

Mas Greg compensa isso ao fazer questão de sempre promover novas bandas em suas turnês, geralmente como bandas de abertura. “Mesmo que várias dessas bandas (Green Day, Offspring e Rancid) acabem mais famosas que a gente, nós gostamos de fortalecer a cena punk e apresentar essas bandas novas. Já nos consideramos vovôs na cena e achamos muito recompensador ajudar quem está começando, já que isso é raro em outros gêneros, mas o punk sempre teve um movimento muito forte e unido.”

Greg sabe a importância das redes sociais para bandas que qualquer porte, mas assume que não tem Facebook e possui uma visão diferenciada de presença online. “Eu só tenho Twitter e uso como um feed de notícias sobre a minha vida e sobre o Bad Religion. Eu realmente não respondo menções, pois sei que se o fizesse ia perder umas seis horas da minha vida por dia, e veja bem, eu prefiro viver! (risos).” O Bad Religion possui um profissional contratado para gerenciar suas redes, pois sabem como ela é uma fonte importante de notícias para seus fãs.

Mesmo com a autogestão de sua banda, Greg não se considera um empreendedor. “Eu sou péssimo com o dinheiro (risos), mas tenho outras qualidades.” O cantor acredita que consegue criar um produto com conteúdo e substância que o conecta de corpo e alma com outros indivíduos, e acha que esse é o maior problema da maioria dos hits atuais da rádio: “As pessoas estão perdendo a conexão humana, pois tudo é criado na base do copia e cola. Não há mais sentimento e sim vontade de se criar hits vazios, sem grande conteúdo. Para mim, se você é artista, a coisa mais preciosa que você pode criar é algo que se conecte com o próximo, então eu sou bem cético em relação ao conteúdo criado por computadores.”

Confira abaixo nossa entrevista com ele e algumas fotos do evento!