Herdeiros de Prince processam hospital e farmácia por homicídio

O processo, que acusa a instituição de morte por negligência, foi apresentado na sexta-feira passada em Chicago (EUA).

Os herdeiros de Prince, falecido em abril de 2016, entraram na Justiça contra uma rede de hospitais e farmácia Walgreens, alegando que os profissionais não forneceram ao cantor os cuidados adequados, contribuindo para sua morte.

A denúncia por negligência foi apresentada na sexta-feira passada (20) em Chicago (EUA) contra um médico e um farmacêutico do Trinity Medical Center em Rock Island, um hospital que atendeu Prince em 15 de abril, seis dias antes de falecer.

Representantes do hospital ainda não se manifestaram sobre o processo. Ao “Minneapolis Star-Tribune”, um porta-voz de uma companhia ligada à rede destacou que a empresa não comenta litigâncias em curso. A Walgreens declinou o pedido de posicionamento.

Após um concerto em Atlanta, Prince voltava para a sua casa, em Minneapolis, quando o seu avião privado teve um pouso de emergência em Illinois. Aparentemente o cantor, que consumia opiáceos de maneira habitual, sofreu uma overdose.

Os seis familiares de Prince (a sua irmã Tyka Nelson e seus meios-irmãos John Nelson, Norrine Nelson, Sharon Nelson, Alfred Jackson e Omarr Baker) asseguraram no seu processo que os profissionais deste centro médico não fizeram tudo o que deviam para investigar o que se passava com o músico nem para prevenir outra overdose como a que uma semana depois acabaria com a sua vida.

Prince vai a consultório médico na véspera de sua morte - Carver County Police

Prince vai a consultório médico na véspera de sua morte – Carver County Police

Na quinta-feira passada, 19 de abril, o escritório do procurador do condado de Carver (Minesota, EUA) anunciou que não vai apresentar acusações contra ninguém pelo falecimento do artista já que, depois de dois anos de investigação, não foram encontradas “suficientes provas” para incriminar alguém.

As autoridades admitiram que não conseguiram determinar como é que o fentanilo chegou às mãos de Prince, e avançaram a hipótese de o cantor ter consumido por erro o Vicodin falso, que na realidade continha fentanilo.

“Nada nas provas sugere que Prince tenha ingerido fentanilo conscientemente”, disse o procurador do condado de Carver, Mark Metz.

Prince faleceu um dia antes de se encontrar com um médico da Califórnia especializado em tratamento de vícios. Os investigadores divulgaram imagens de Kirk Johnson, guarda-costas do superastro, pegando produtos vendidos sob prescrição médica em uma farmácia. Ele foi filmado duas vezes em um intervalo de 90 minutos no estabelecimento, na véspera da morte do cantor.

Kirk Johnson, guarda-costas de Prince, pega produtos em farmácia nos EUA - Carver County Police

Kirk Johnson, guarda-costas de Prince, pega produtos em farmácia nos EUA – Carver County Police

A causa oficial da morte de Prince foi uma overdose do analgésico fentanil, cujos efeitos são superiores aos da heroína. O artista se tornou dependente dos opióides depois de anos de performances em alto nível nos palcos pelo mundo. Fotos e documentos divulgados pela polícia do condado de Carver, na semana passada, revelaram uma variedade de drogas do tipo na casa do cantor, receitas médicas no nome de seu guarda-costas e uma bolsa lotada de dinheiro com “ópio” escrito nas laterais.