O polivalente Caio Nórcia em entrevista para a On Stage Lab

Por Deca Pertrini

Caio Norcia começou a vida no meio artístico bem cedo, aos sete anos de idade. Como a grande maioria desse meio, passou por várias etapas durante a sua carreira, acumulando vasta experiência no assunto de Direção Artística e Empresariamento.

Profissional qualificado em:

– Live Stage Producer: Mentor de artistas e bandas em shows ao vivo, tratando de postura de palco, voz, cenário, luzes, etc.

– Todos os processos que envolvem a produção musical, dentre eles:

– Acompanhamento de pré-produção;
– Re-harmonização;
– Direcionamento instrumental e vocal;
– Re-arranjos
– Gravação multi-pista via DAW
– Edição digital de vozes e instrumentos;
– Criação digital de vozes e acompanhamentos;
– Mixagem;
– Masterização.

– Hardware e montagem de CPU;

– Plataformas Mac e Windows;

– Gravação e Edição de Vídeos

Caio possui o seu canal no youtube, com super dicas, principalmente para produtores e músicos.

ON STAGE LAB: Qual foi o seu primeiro contato com o meio artístico?
CAIO NORCIA: Olá a todos! Bom, vamos lá! Meu primeiro contato com o mundo artístico foi aos sete anos de idade, quando minha mãe, decoradora na época, conheceu o pai do Luciano do Trem da Alegria, grupo infantil que estava estourado em todo o Brasil. Conheci o Luciano e logo viramos melhores amigos, eu o acompanhava a shows e programas de TV. Nesse momento entrei num grupo infantil e comecei a ter um pouco do gostinho do mundo artístico também.

ON STAGE LAB: Qual foi o seu primeiro contato com o meio artístico?
CAIO NORCIA: Olá a todos! Bom, vamos lá! Meu primeiro contato com o mundo artístico foi aos sete anos de idade, quando minha mãe, decoradora na época, conheceu o pai do Luciano do Trem da Alegria, grupo infantil que estava estourado em todo o Brasil. Conheci o Luciano e logo viramos melhores amigos, eu o acompanhava a shows e programas de TV. Nesse momento entrei num grupo infantil e comecei a ter um pouco do gostinho do mundo artístico também.

ON STAGE LAB: Qual foi o seu primeiro contato com o meio artístico?
CAIO NORCIA: Olá a todos! Bom, vamos lá! Meu primeiro contato com o mundo artístico foi aos sete anos de idade, quando minha mãe, decoradora na época, conheceu o pai do Luciano do Trem da Alegria, grupo infantil que estava estourado em todo o Brasil. Conheci o Luciano e logo viramos melhores amigos, eu o acompanhava a shows e programas de TV. Nesse momento entrei num grupo infantil e comecei a ter um pouco do gostinho do mundo artístico também.

ON STAGE LAB: Qual foi o seu primeiro contato com o meio artístico?
CAIO NORCIA: Olá a todos! Bom, vamos lá! Meu primeiro contato com o mundo artístico foi aos sete anos de idade, quando minha mãe, decoradora na época, conheceu o pai do Luciano do Trem da Alegria, grupo infantil que estava estourado em todo o Brasil. Conheci o Luciano e logo viramos melhores amigos, eu o acompanhava a shows e programas de TV. Nesse momento entrei num grupo infantil e comecei a ter um pouco do gostinho do mundo artístico também.

ON STAGE LAB: Como foi a sua experiência como músico?
CAIO NORCIA: Essa foi uma experiência que começou no violão, lá pelos meus doze anos. Eu logo fiquei entediado, porque eu queria tocar guitarra e ainda não tinha entendido isso, rs. Mas logo conheci o Gun’s N Roses e o Iron Maiden, e a vontade de tocar não saiu mais de mim. Tive muitas bandas no colegial, mas tocar profissionalmente veio anos depois, novamente com o Luciano, quando montamos um projeto que começou simples, eu e ele tocando violões, até o projeto ir tomando forma e excursionarmos com banda por várias cidades do Brasil, fazendo shows para milhares de pessoas, como os shows que fizemos no Circo Voador no Rio.

ON STAGE LAB: Quais foram as etapas seguintes?
CAIO NORCIA: Depois de pegar muita experiência com os shows e produção, eu descobri que havia mais uma parte nesse cenário da música que eu também gostava demais… o estúdio de gravação! Então o processo seguinte foi estudar muito, dar muita cabeçada aprendendo tudo o que eu podia sobre áudio, edição, mixagem e masterização. Eu não sabia como eu sairia do meu quarto um dia, mas como diz o ditado, quando o discípulo está pronto o Mestre aparece. Falaremos disso mais pra frente, rs.

ON STAGE LAB: Como foi a oportunidade de ingressar na carreira de road manager? O que aprendeu nessa profissão?
CAIO NORCIA: Taí outra coisa que gosto muito! A primeira oportunidade veio lá pelos meus vinte e poucos anos, quando minha mãe, nesse momento empresária da Dupla Rosa e Rosinha, precisou de alguém pra ir pra estrada e resolver tudo o que fosse necessário. Na época eu estava fazendo um estágio num Banco para poder terminar a faculdade, e não estava tocando, então foi uma ótima oportunidade de ficar perto do cenário artístico de novo. Como Road Manager eu aprendi que preparação e controle são essenciais para fazer um show acontecer. Você tem que saber e entender tudo o que está acontecendo no palco e fora dele, para resolver rapidamente o que pode resolver e, o que não pode, saber quem é a pessoa que pode e onde ela está. A agilidade em tomar decisões é fundamental.

ON STAGE LAB: Quais as funções de um road manager?
CAIO NORCIA: Eu percebi ao longo dos anos que isso não é algo bem definido entre os profissionais e, para falar a verdade eu nunca soube ao certo. Eu só sabia que tudo tinha que acontecer e que eu era o responsável por isso. Nunca tive um mentor, eu aprendi na raça. Para mim, meu trabalho começa no momento que o vendedor de shows me passa a informação de que o show foi vendido e o telefone do contratante. Nesse momento eu entro em contato e começo a coletar todos os telefones dos responsáveis por som, luz, camarim, hotel, rádios e o que mais for necessário para começar a organizar a agenda. A partir disso eu monto um book, onde coloco as informações de translado, hotel e seus devidos quartos já separados, horários de passagem de som, de show, de entrevistas, itinerários, opções de restaurantes da região, telefones de contato da equipe e dos responsáveis. Com isso ninguém “se perde” do resto da equipe e conseguimos deixar tudo organizado. Isso é uma parte, a outra acontece no local do evento, onde eu cuido e checo o camarim, as entradas e saídas do artista, a montagem do palco, a chegada e saída da equipe e resolver todos os possíveis problemas que acontecerem, conhecendo todos os profissionais que trabalham no evento.

ON STAGE LAB: Conte-nos sobre a sua experiência em estúdios de gravação. Com quem trabalhou?
CAIO NORCIA: Minha experiência com estúdios começou com gravação de coros nos discos do Atchim e Espirro quando eu estava conhecendo o mundo artístico. Ali conheci o Caio Flávio, lenda na indústria por seus trabalhos com vários artistas de ponta. Anos depois eu viria a gravar guitarra para um trabalho lá no Mosh. Nesse momento, aos meus 16 anos, eu entendi o que era um estúdio de gravação e como aquilo era incrível. Depois disso, o primeiro estúdio grande e que tinha volume de trabalho que eu estive foi o RW Studios, do Rodrigo Pimentel. Ele foi um dos meus primeiros mestres de verdade, me mostrando todo o processo de gravação e me fazendo entender o áudio. Ali minha consciência de áudio e música se expandiu, porque ele trabalhava basicamente gravando as Escolas de Samba que conhecemos, e eu aprendi desde afinar os três surdos para soarem harmoniosos entre si (e dentro do tom de cada música) até entender como que todos aqueles instrumentos, na grande maioria na faixa média e aguda do espectro, podiam soar separados e audíveis entre vários outros. Como técnico de gravação e editor de vozes, ganhei ali dois Discos de Ouro com nossos trabalhos.

Caio Norcia 3

ON STAGE LAB: O que significou seu primeiro contato com softwares de gravação? O conhecimento que você foi adquirindo para dominá-los veio de onde?
CAIO NORCIA: Meu primeiro contato com softwares de gravação veio com o Fabiano Rodrigues, na época guitarrista do Kroma, quarteto de guitarras que tem com um dos fundadores o Heraldo Paarmann. Eu morei com o Fabiano por um tempo e tínhamos um projeto para uma banda de metal melódico. Nessa época ele estava transcrevendo o songbook do Angra, o Rebirth, então não era incomum o Kiko vir em casa. Estavam para lançar as vídeo aulas dele também, então acabei conhecendo o Sidney Carvalho, produtor e diretor das vídeo aulas do Kiko na época. O Fabiano era o cara que entendia das gravações em computador e, ter que esperar ele estar em casa ou estar disponível para eu gravar minhas idéias era algo que me incomodava, então um dia pedi permissão para ficar uma tarde toda mexendo no programa, e aprendi o básico (na época não haviam vídeo aulas ou YouTube mostrando como se usar qualquer coisa), e com ele aprendi o que faziam os plugins e como gravar num software multipista. Daí pra frente foi na cara e na coragem, testando, criando, editando, aprendendo e sempre refazendo esse ciclo. Foi a época que mais compus. Entendi que aquele era um universo que não tinha limites.

ON STAGE LAB: Como surgiu u para a sua carreira estagiar com Paulo Anhaia, no renomado Estúdio Midas?
CAIO NORCIA: A história do Paulo foi uma daquelas coisas que tinha que acontecer, de hora certa no lugar certo. Eu estava uma noite em casa gravando uma base e meu baixo estava com um ruído muito chato por falta de aterramento. Eu já estava desistindo de gravar quando resolvi ir para a internet buscar o que fazer e, sem a menor pretensão de ter uma resposta, vi o Paulo Anhaia, engenheiro renomado, ali online e resolvi arriscar, dizendo a ele meu problema e se ele tinha alguma dica para resolver isso. A dica dele eu nunca vou esquecer: “Cara, isso é complicado mesmo, mas faz o seguinte, passa aqui em casa e pega o meu baixo!” Eu achei que era brincadeira, mas não era. Esse é o jeito do Paulo, um cara humilde, de coração enorme que está sempre disposto a ajudar. Para a minha surpresa, quando ele me passa o endereço da casa dele, descubro que moramos a dois quarteirões um do outro, e para minha surpresa ainda maior, eu estava morando na rua ao lado da rua do Midas e não sabia! Naquela noite peguei o baixo dele e começamos uma amizade. Ele me ajudou demais, veio em casa, “consertou” uma mix que eu tinha feito, onde ele basicamente tirou os 600 plugins que eu havia colocado e colocou um eq e um compressor por canal e soou incrível! Ali naquele momento senti a separação de engenheiro de quarto pra um Engenheiro de verdade! Com muita paciência, ele me mostrou o que é uma edição, e como usar os recursos do Pro Tools. Durante vários meses eu editei todos os trabalhos dele, fazendo afinação das vozes e editando bateria. Um desses trabalhos aconteceu no Midas, onde conheci a equipe toda e o Rick Bonadio. Depois de uma entrevista com os gerentes, eu em breve estava começando a trabalhar lá. Foi uma escola absurda em termos de áudio, com salas projetadas e equipamentos que eu só encontrava em vídeos internacionais, mas principalmente foi uma escola em termos artísticos. Eu estava ali entendendo como eram criadas as músicas que eu ouviria na rádio nos meses seguintes, como eram planejados os shows, as gravações de DVD, os clipes, as sessões de foto, enfim, toda a mentalidade por trás dos sucessos que estavam acontecendo. Trabalhar com o Rick foi uma escola que não tem preço para entender como o mercado funciona e como funcionaram os seus sucessos.

ON STAGE LAB: Você tem um canal no youtube com super dicas sobre o mercado musical. De onde partiu a ideia?
CAIO NORCIA: Foi uma coisa que aconteceu naturalmente depois de trabalhar com várias bandas e artistas. Eu sempre ficava dando toques ou dicas dentro do trabalho deles. Principalmente eu produzia as músicas já imaginando como elas seriam tocadas no show e como o artista poderia aproveitar isso para entreter o público. Isso era natural para mim e sempre foi. Eu cresci em volta disso e sabia por instinto o que funcionava e o que não conectava. Chegou um momento que eu pensei que não adiantava reclamar para mim mesmo que os artistas gravavam muito bem em estúdio mas depois ao vivo, “apagavam”. Eu podia colocar toda essa bagagem para fora e ajudar as bandas a ter um show melhor! Então meu canal, que num primeiro momento tinha dicas de áudio, começou a ser voltado para o Artista.

ON STAGE LAB: Conte um pouco sobre o seu trabalho de direção artística. O que faz um diretor artístico?
CAIO NORCIA: Eu faço um trabalho que na verdade abrange mais do que isso, a Direção Artística em si. O meu trabalho com o artista é completo. É imersivo, instigador. Eu preciso tirar dele uma atitude que ele muitas vezes tem mas que não coloca para fora, fazendo só o “necessário” para estar onde está. Comigo isso não funciona. Então eu chego olhando o todo, olhando o que ele está vendendo como artista e como personalidade, porque o artista hoje tem que existir além de sua música. Ele precisa ser alguém com uma voz, uma atitude e um posicionamento perante a sociedade e seus fãs. Isso se reflete no palco, nas redes socias, na roupa dele, no jeito de falar. E isso tem que ser um relacionamento constante. Ele tem que estar presente e determinado, para que as pessoas notem e se identifiquem. No palco, eu trabalho a atitude geral, que começa no repertório, montando a melhor sequência para que o show tenha uma dinâmica envolvente. Essa dinâmica vem junto com todos os textos, que são montados para captar a atenção e emoção do público. Fundamental também é a interação e linguagem não verbal entre o artista e o público, desde a colocação do pedestal na posição que mais o favorece, até as poses escolhidas para passar a mensagem com a firmeza que se quer passar. Esse é um trabalho que se assemelha à produção de uma música. Eu não posso chegar e colocar o meu ponto de vista e mudar ou criar tudo. Eu tenho que entender a forma de cada um pensar e agir para colocar para fora o melhor “eu” de cada um. Para isso eu dou as ferramentas, mas o público vai sempre ver o artista e sua individualidade. O show tem que ser um espetáculo, como um filme, com várias emoções diferentes, e o artista é um ator, buscando mostrar ao seu público como ele está se sentindo, ou como gostaria de estar se sentindo naquele momento. Isso é algo que trabalho muito também, o estado de espírito do artista, que tem que estar presente no seu show independente do que aconteceu no seu dia ou naquele momento. Ele tem uma missão com seu público e ali estará seu foco. Fora dos palcos eu preparo o artista para entrevistas, para que ele responda com naturalidade e com objetividade tudo sobre si mesmo e sua carreira. As rádios e televisões precisam de respostas claras, concisas e que você possa passar sua verdade. Quanto mais tempo ele passar agradecendo seus apoiadores e patrocinadores, menos vai falar do seu trabalho. Tem hora e lugar para tudo, e o artista normalmente não tem esse feeling sobre isso. O preparar para entrevistas já ajuda demais no ambiente digital, nas mídias sociais, onde ele vai estar lidando com os fãs o tempo todo. Uns mais calorosos, outros mais descontentes, mas que vão estar ávidos esperando uma resposta do seu ídolo. Quando não há uma empresa de Marketing Digital envolvida, eu gosto de orientar sobre as publicações, do que falar e do que não falar para manter a imagem que o artista quer passar. Quer falar mal de um time de futebol? Ok, mas muita gente que gosta de você pode não gostar mais. Isso te interessa? Falo também da periodicidade das publicações e da diferença das publicações para plataformas diferentes. O que se espera ver no Facebook, no Instagram, nos Stories, etc. Quando não há uma visagista, também procuro orientar sobre harmonia dos looks para o show. Todo esse trabalho é a ponta do Iceberg, pois só no dia a dia vou vendo as outras necessidades de cada artista para que eu possa trabalhar com ele.

ON STAGE LAB: Além das atividades já citadas, você empresaria bandas. Conte-nos sobre esse seu trabalho.
CAIO NORCIA: Isso é algo que me deixa muito contente e algo muito recente. Fui convidado no final de 2017 pela M-Music.BR, uma produtora nova mas já com pessoas bem experientes, para cuidar da seleção do cast deles pra 2018. Como estou nessa busca incessante por novos artistas e por trabalhar com eles, eu logo de cara aceitei! Tivemos uma primeira reunião que foi ótima, e logo me foi oferecida a sociedade na empresa. Então a partir desse momento, entrei para o time e estou oficialmente empresariando os artistas que eu encontrar. E já encontrei gente muito boa!

ON STAGE LAB: Na sua opinião, quais as atuais tendências do mercado musical no Brasil?
CAIO NORCIA: Eu cresci no rock e gostaria muito de colocar ele aqui em algum momento entre as tendências, mas não tenho como. O rock deixou de ter atitude, de conectar com o jovem e essa atitude hoje vemos no Sertanejo e no Funk. A mensagem deles conecta ao público de uma forma que os agrada, então não vejo como esses dois estilos saírem das paradas musicais em 2018. Pode diminuir? Sim, principalmente os estilos mais “puros” por assim dizer. O que eu vejo acontecer é a migração de todos os estilos para um cenário pop, onde você tem cada vez mais arranjos parecidos, misturando muita coisa eletrônica, onde você define o segmento baseado em quem está cantando, não mais no arranjo. Os “featurings” do Sertanejo já saturaram, eles já abusaram de todos os estilos, então é uma certeza que veremos novidades nesse sentido. O funk está trazendo novas vertentes, com arranjos melhorados para poder também embarcar mais no pop. A mensagem ainda é complicada de se aceitar, mas como eu disse, é uma atitude que chama a atenção e conecta a quem gosta. Eu aposto muito no eletrônico em 2018, seja ele entrando de cabeça em todos os outros estilos ou mesmo sozinho, com novos artistas aparecendo em função da facilidade de se produzir. Hoje em dia até no celular você consegue produzir uma música. Quem tem talento pode aparecer. Acredito muito no Rap também. É outro estilo que tem atitude e se souber falar aos jovens, pode se beneficiar do pop e chegar forte no mercado.

ON STAGE LAB: Como avalia o surgimento das mídias digitais para o mercado musical? Para onde está caminhando?
CAIO NORCIA: É de fundamental importância. Não dá para pensar em música hoje sem pensar nas mídias digitais. E a cada ano novas portas se abrem nesse sentido. Agora temos os novos YouTube Red e Spotlight por exemplo. Como essas mídias estarão integradas ao artista daqui a um ano? O foco da música é o ouvinte, é o fã, e para isso a música tem que estar onde ele está, que é no digital. Se você for planejar uma carreira do zero, você primeiro testa seu produto no digital, procura no digital onde está seu público, através do digital foca em material para aquele público até que você tenha uma quantidade suficiente de seguidores e fãs para poder sair do “online” e ir para o “offline”, que é o show propriamente dito. O modelo de fazer tudo às cegas, gravando, soltando e marcando shows para formar público já não funciona. Eu acredito que estamos caminhando cada vez mais para o artista se aproveitar do digital para estar próximo do seu público e, com isso construir uma relação muito mais a fundo do que ele constrói quando aparece numa TV, rádio ou show, e isso vai criar cada vez mais “superfãs” que vão querer consumir ainda mais o que o artista faz e produz. Por isso o posicionamento definido do artista é tão importante e por isso temos essa onda de YouTubers celebridades, por causa da proximidade e conexão que eles criam. Em termos de shows, o artista que está começando a ter resultados, por exemplo, em 2018 deve focar em shows menores, com ótimo feedback e ir crescendo aos poucos, testando seu trabalho e seu público. Não dê um passo maior que a perna, você não vai se consolidar despejando dinheiro em rádios e fechando um show num estádio. Temos todas as ferramentas hoje para entender e analisar os dados de público. A grande vantagem do digital é essa e temos que trabalhar focados nisso.

Caio Norcia 2

ON STAGE LAB: Qual a parte boa e a parte ruim sobre o declínio das gravadoras e o crescimento da autoadministração dos músicos nos dias de hoje?
CAIO NORCIA: A parte boa de uma gravadora (que ainda se mantém) é o network principalmente. Nem todas hoje fazem uma boa distribuição, com certeza elas não gravam mais seus artistas em seus estúdios, o que tira basicamente seu título de “gravadora” para mais uma administradora de carreira. Mesmo assim, ainda abocanham muito da arrecadação do artista na sua obra, o que a meu ver,  não faz mais sentido se ela não o gravou. Pelo menos não na porcentagem atual. Seu departamento artístico também é algo a se valorizar, apesar de que vejo que nem sempre existe uma inteligência de mercado atrás das decisões. As decisões das gravadoras, bem como seus números, sempre foram algo meio obscuro para o artista, e isso é um dos principais benefícios do artista se auto gerir. Tomar conta da sua carreira é algo totalmente necessário, o artista tem que ser um business man, conhecer todos os processos, mas isso não quer dizer que ele tenha que fazer tudo. No começo, distribua as funções de mídia social, repertório, organização de ensaios e etc entre sua banda. O controle é total do artista, mas ele ainda não tem o network para crescer o suficiente, então é trabalhar o seu público, começar a crescer, ganhar experiência e continuar no controle, mas dessa vez contratando profissionais que possam levá-lo ao próximo estágio.

ON STAGE LAB: Antigamente muitas bandas eram capazes de lotar um estádio, diferentemente de hoje em dia. Quais seriam as causas disso?
CAIO NORCIA: Vejo isso muito forte no rock nacional. As bandas internacionais ainda tem muita força, porque elas têm um status diferente, um sentido de urgência, de escassez que faz com que os fãs comprem ingressos muito caros por não saber quando e se vão poder ver aquele artista de novo. No rock nacional essa escassez não existe, pelo menos não com a mesma força. Isso aliado ao fato das músicas não conectarem da mesma forma, faz com que para se encher uma casa de 1500 pessoas, normalmente tenha-se que juntar três bandas ou dois artistas de mais nome. E isso não é de hoje. Mas um só artista nacional lotar um estádio, eu só imagino se for alguma coisa que tenha explodido recente na mídia e que esteja causando uma grande curiosidade no público. Não imagino isso para um artista consolidado.

ON STAGE LAB: O crescimento de festivais no mundo seria uma consequência dessa carência de nomes capazes de lotar estádios?
CAIO NORCIA: Nós vemos que os festivais ainda funcionam porque unem públicos de várias tribos e nichos diferentes. Isso é bom para o contratante e para os artistas. O contratante consegue ótimos acordos, ingressos com valores muito bons e vários benefícios fiscais que de outra forma ele teria dificuldade. É muito mais trabalho mas muito mais retorno. Para o artista, ele tem uma exposição e um registro que o valorizam, mesmo isso não garantindo que ele vai ser contratado para um palco daquele sozinho, ele aos olhos do fã continua sendo “grande” e a magia fã-artista continua.

ON STAGE LAB: Aliás, você anda contribuindo com alguns projetos de festivais. Conte mais sobre esses festivais e o seu trabalho neles.
CAIO NORCIA: Sim, eu fui contratado pela Millenium Entertainment através da NRS Solutions do Luciano Nassyn para cuidarmos da curadoria do Festival Millenium e de outros Festivais que eles estão organizando. Serão Festivais que trarão atrações de peso internacional e nacional de 2018 a 2020. O meu trabalho com eles é escolher quais as bandas que farão parte da grade do evento e montar todo o cronograma de horários entre as arenas para todos os dias de Festival, bem como auxiliar os Diretores de Palco. Além disso, em cada Festival haverão 15 bandas e/ou artistas iniciantes, mas com potencial artístico grande, que eu e o Luciano estamos escolhendo para participar desses festivais, como forma de impulsionar suas carreiras. Além da visibilidade, eles estarão tocando nos mesmos palcos que as grandes atrações. Estou negociando uma parceria grande para essas bandas e artistas independentes, e se tudo der certo, um desses artistas vai sair de lá com uma estrutura que ele nem imagina para a sua carreira. Vai que o cenário muda e encontramos uma baita banda de rock? Estou de dedos cruzados!

com Luciano Nassyn

com Luciano Nassyn

ON STAGE LAB: Para onde caminha a música?
CAIO NORCIA: Eu sou otimista. Vejo que os artistas estão cada vez mais se educando e entendendo a necessidade de fazer música para o outro e não para si mesmo. Estão aos poucos entendendo a música como uma profissão séria e que precisa dar resultados. Não é hobby, não é só arte, é conexão e resultados. Vai estar em evidência quem souber dizer o que o público quer ouvir e esse público não é tão segmentando quanto se pensa. Isso é essencial de se entender. A mesma menina que no final de semana quer rebolar até o chão com um funk, é a que pode estar chorando um amor não correspondido numa terça à noite ao som de Tiago Iorc. A música vai caminhar para quem conseguir essa conexão, seja no estilo que for.

ON STAGE LAB: “Nada se cria, tudo se copia” ? Se sim, desde quando?
CAIO NORCIA: Não tenho dúvida que sim! Essa frase veio “adaptada” do Lavoisier pelo Chacrinha falando sobre a TV brasileira e ele estava certo! Steve Jobs, Bill Gates, todos copiam. Na música quase todos copiam. E não falo de plágio, o que acontece bastante, mas da cópia como inspiração, como direção. No começo de carreira todos temos inspiração, o músico quer tocar como o Steve Vai, daí ele tenta copiar o ídolo, não consegue e cria algo dele no processo. Ainda falando de guitarristas de sucesso, quando eles resolveram “copiar” arranjos para violinos e metais por exemplo, veja o quanto a música deles cresceu! É a coisa do “quem copia e é pego, é ladrão. Quem copia e ninguém percebe é gênio”. Dentro do Show Business você teve o American Idol que foi um sucesso. Daí não demorou para aparecerem vários programas copiando a fórmula. Tivemos Charlie Brown Jr e CPM22 e seus sucessos trouxeram uma tonelada de bandas soando exatamente iguais a eles. O exato não funciona, ninguém quer ouvir a cópia e ela sempre vai estar abaixo da original. Copie algo inusitado dentro de algo novo e veja o que acontece!

ON STAGE LAB: E para finalizar, quais os conselhos de Caio Norcia para quem quiser seguir nessas carreiras musicais?
CAIO NORCIA: Para qualquer carreira hoje, seja a de Engenheiro de Som, de Road Manager, Produtor Musical ou Produtor Artístico, você precisa estar antenado com seu público, que são seus futuros clientes. Então começar a se divulgar, aparecer, seja notado, faça muito network e exponha seu trabalho de alguma forma. O importante é não esperar estar preparado. Isso não existe. Você se ajusta à medida que vai fazendo e aprendendo com o processo. Comece com o que tem e faça o que você pode. Tenha certeza que tem alguém aí fora esperando o que você tem para dizer. E estude muito! Sempre!
Abraços a todos e muito obrigado!

Caio Norcia

 

Por Deca Pertrini

Caio Norcia começou a vida no meio artístico bem cedo, aos sete anos de idade. Como a grande maioria do meio musical, passou por várias etapas durante a sua carreira, acumulando vasta experiência no assunto de Live Stage Producer: Mentor de artistas e bandas em shows ao vivo, tratando de postura de palco, voz, cenário, luzes, etc.

Além disso tudo, Caio aplica todo o seu conhecimento no seu canal do youtube, com super dicas para os profissionais da música.

Caio Norcia 2

Norcia nos conta sobre toda a sua jornada no ramo musical. Aproveitem!

ON STAGE LAB: Qual foi o seu primeiro contato com o meio artístico?
CAIO NORCIA: Olá a todos! Bom, vamos lá! Meu primeiro contato com o mundo artístico foi aos sete anos de idade, quando minha mãe, decoradora na época, conheceu o pai do Luciano do Trem da Alegria, grupo infantil que estava estourado em todo o Brasil. Conheci o Luciano e logo viramos melhores amigos, eu o acompanhava a shows e programas de TV. Nesse momento entrei num grupo infantil e comecei a ter um pouco do gostinho do mundo artístico também.

ON STAGE LAB: Como foi a sua experiência como músico?
CAIO NORCIA: Essa foi uma experiência que começou no violão, lá pelos meus doze anos. Eu logo fiquei entediado, porque eu queria tocar guitarra e ainda não tinha entendido isso, rs. Mas logo conheci o Gun’s N Roses e o Iron Maiden, e a vontade de tocar não saiu mais de mim. Tive muitas bandas no colegial, mas tocar profissionalmente veio anos depois, novamente com o Luciano, quando montamos um projeto que começou simples, eu e ele tocando violões, até o projeto ir tomando forma e excursionarmos com banda por várias cidades do Brasil, fazendo shows para milhares de pessoas, como os shows que fizemos no Circo Voador no Rio.

ON STAGE LAB: Quais foram as etapas seguintes?
CAIO NORCIA: Depois de pegar muita experiência com os shows e produção, eu descobri que havia mais uma parte nesse cenário da música que eu também gostava demais… o estúdio de gravação! Então o processo seguinte foi estudar muito, dar muita cabeçada aprendendo tudo o que eu podia sobre áudio, edição, mixagem e masterização. Eu não sabia como eu sairia do meu quarto um dia, mas como diz o ditado, quando o discípulo está pronto o Mestre aparece. Falaremos disso mais pra frente, rs.

ON STAGE LAB: Como foi a oportunidade de ingressar na carreira de road manager? O que aprendeu nessa profissão?
CAIO NORCIA: Taí outra coisa que gosto muito! A primeira oportunidade veio lá pelos meus vinte e poucos anos, quando minha mãe, nesse momento empresária da Dupla Rosa e Rosinha, precisou de alguém pra ir pra estrada e resolver tudo o que fosse necessário. Na época eu estava fazendo um estágio num Banco para poder terminar a faculdade, e não estava tocando, então foi uma ótima oportunidade de ficar perto do cenário artístico de novo. Como Road Manager eu aprendi que preparação e controle são essenciais para fazer um show acontecer. Você tem que saber e entender tudo o que está acontecendo no palco e fora dele, para resolver rapidamente o que pode resolver e, o que não pode, saber quem é a pessoa que pode e onde ela está. A agilidade em tomar decisões é fundamental.

ON STAGE LAB: Quais as funções de um road manager?
CAIO NORCIA: Eu percebi ao longo dos anos que isso não é algo bem definido entre os profissionais e, para falar a verdade eu nunca soube ao certo. Eu só sabia que tudo tinha que acontecer e que eu era o responsável por isso. Nunca tive um mentor, eu aprendi na raça. Para mim, meu trabalho começa no momento que o vendedor de shows me passa a informação de que o show foi vendido e o telefone do contratante. Nesse momento eu entro em contato e começo a coletar todos os telefones dos responsáveis por som, luz, camarim, hotel, rádios e o que mais for necessário para começar a organizar a agenda. A partir disso eu monto um book, onde coloco as informações de translado, hotel e seus devidos quartos já separados, horários de passagem de som, de show, de entrevistas, itinerários, opções de restaurantes da região, telefones de contato da equipe e dos responsáveis. Com isso ninguém “se perde” do resto da equipe e conseguimos deixar tudo organizado. Isso é uma parte, a outra acontece no local do evento, onde eu cuido e checo o camarim, as entradas e saídas do artista, a montagem do palco, a chegada e saída da equipe e resolver todos os possíveis problemas que acontecerem, conhecendo todos os profissionais que trabalham no evento.

Caio Norcia 3

ON STAGE LAB: Conte-nos sobre a sua experiência em estúdios de gravação. Com quem trabalhou?
CAIO NORCIA: Minha experiência com estúdios começou com gravação de coros nos discos do Atchim e Espirro quando eu estava conhecendo o mundo artístico. Ali conheci o Caio Flávio, lenda na indústria por seus trabalhos com vários artistas de ponta. Anos depois eu viria a gravar guitarra para um trabalho lá no Mosh. Nesse momento, aos meus 16 anos, eu entendi o que era um estúdio de gravação e como aquilo era incrível. Depois disso, o primeiro estúdio grande e que tinha volume de trabalho que eu estive foi o RW Studios, do Rodrigo Pimentel. Ele foi um dos meus primeiros mestres de verdade, me mostrando todo o processo de gravação e me fazendo entender o áudio. Ali minha consciência de áudio e música se expandiu, porque ele trabalhava basicamente gravando as Escolas de Samba que conhecemos, e eu aprendi desde afinar os três surdos para soarem harmoniosos entre si (e dentro do tom de cada música) até entender como que todos aqueles instrumentos, na grande maioria na faixa média e aguda do espectro, podiam soar separados e audíveis entre vários outros. Como técnico de gravação e editor de vozes, ganhei ali dois Discos de Ouro com nossos trabalhos.

ON STAGE LAB: O que significou seu primeiro contato com softwares de gravação? O conhecimento que você foi adquirindo para dominá-los veio de onde?
CAIO NORCIA: Meu primeiro contato com softwares de gravação veio com o Fabiano Rodrigues, na época guitarrista do Kroma, quarteto de guitarras que tem com um dos fundadores o Heraldo Paarmann. Eu morei com o Fabiano por um tempo e tínhamos um projeto para uma banda de metal melódico. Nessa época ele estava transcrevendo o songbook do Angra, o Rebirth, então não era incomum o Kiko vir em casa. Estavam para lançar as vídeo aulas dele também, então acabei conhecendo o Sidney Carvalho, produtor e diretor das vídeo aulas do Kiko na época. O Fabiano era o cara que entendia das gravações em computador e, ter que esperar ele estar em casa ou estar disponível para eu gravar minhas idéias era algo que me incomodava, então um dia pedi permissão para ficar uma tarde toda mexendo no programa, e aprendi o básico (na época não haviam vídeo aulas ou YouTube mostrando como se usar qualquer coisa), e com ele aprendi o que faziam os plugins e como gravar num software multipista. Daí pra frente foi na cara e na coragem, testando, criando, editando, aprendendo e sempre refazendo esse ciclo. Foi a época que mais compus. Entendi que aquele era um universo que não tinha limites.

ON STAGE LAB: Como surgiu u para a sua carreira estagiar com Paulo Anhaia, no renomado Estúdio Midas?
CAIO NORCIA: A história do Paulo foi uma daquelas coisas que tinha que acontecer, de hora certa no lugar certo. Eu estava uma noite em casa gravando uma base e meu baixo estava com um ruído muito chato por falta de aterramento. Eu já estava desistindo de gravar quando resolvi ir para a internet buscar o que fazer e, sem a menor pretensão de ter uma resposta, vi o Paulo Anhaia, engenheiro renomado, ali online e resolvi arriscar, dizendo a ele meu problema e se ele tinha alguma dica para resolver isso. A dica dele eu nunca vou esquecer: “Cara, isso é complicado mesmo, mas faz o seguinte, passa aqui em casa e pega o meu baixo!” Eu achei que era brincadeira, mas não era. Esse é o jeito do Paulo, um cara humilde, de coração enorme que está sempre disposto a ajudar. Para a minha surpresa, quando ele me passa o endereço da casa dele, descubro que moramos a dois quarteirões um do outro, e para minha surpresa ainda maior, eu estava morando na rua ao lado da rua do Midas e não sabia! Naquela noite peguei o baixo dele e começamos uma amizade. Ele me ajudou demais, veio em casa, “consertou” uma mix que eu tinha feito, onde ele basicamente tirou os 600 plugins que eu havia colocado e colocou um eq e um compressor por canal e soou incrível! Ali naquele momento senti a separação de engenheiro de quarto pra um Engenheiro de verdade! Com muita paciência, ele me mostrou o que é uma edição, e como usar os recursos do Pro Tools. Durante vários meses eu editei todos os trabalhos dele, fazendo afinação das vozes e editando bateria. Um desses trabalhos aconteceu no Midas, onde conheci a equipe toda e o Rick Bonadio. Depois de uma entrevista com os gerentes, eu em breve estava começando a trabalhar lá. Foi uma escola absurda em termos de áudio, com salas projetadas e equipamentos que eu só encontrava em vídeos internacionais, mas principalmente foi uma escola em termos artísticos. Eu estava ali entendendo como eram criadas as músicas que eu ouviria na rádio nos meses seguintes, como eram planejados os shows, as gravações de DVD, os clipes, as sessões de foto, enfim, toda a mentalidade por trás dos sucessos que estavam acontecendo. Trabalhar com o Rick foi uma escola que não tem preço para entender como o mercado funciona e como funcionaram os seus sucessos.

ON STAGE LAB: Você tem um canal no youtube com super dicas sobre o mercado musical. De onde partiu a ideia?
CAIO NORCIA: Foi uma coisa que aconteceu naturalmente depois de trabalhar com várias bandas e artistas. Eu sempre ficava dando toques ou dicas dentro do trabalho deles. Principalmente eu produzia as músicas já imaginando como elas seriam tocadas no show e como o artista poderia aproveitar isso para entreter o público. Isso era natural para mim e sempre foi. Eu cresci em volta disso e sabia por instinto o que funcionava e o que não conectava. Chegou um momento que eu pensei que não adiantava reclamar para mim mesmo que os artistas gravavam muito bem em estúdio mas depois ao vivo, “apagavam”. Eu podia colocar toda essa bagagem para fora e ajudar as bandas a ter um show melhor! Então meu canal, que num primeiro momento tinha dicas de áudio, começou a ser voltado para o Artista.

ON STAGE LAB: Conte um pouco sobre o seu trabalho de direção artística. O que faz um diretor artístico?
CAIO NORCIA: Eu faço um trabalho que na verdade abrange mais do que isso, a Direção Artística em si. O meu trabalho com o artista é completo. É imersivo, instigador. Eu preciso tirar dele uma atitude que ele muitas vezes tem mas que não coloca para fora, fazendo só o “necessário” para estar onde está. Comigo isso não funciona. Então eu chego olhando o todo, olhando o que ele está vendendo como artista e como personalidade, porque o artista hoje tem que existir além de sua música. Ele precisa ser alguém com uma voz, uma atitude e um posicionamento perante a sociedade e seus fãs. Isso se reflete no palco, nas redes socias, na roupa dele, no jeito de falar. E isso tem que ser um relacionamento constante. Ele tem que estar presente e determinado, para que as pessoas notem e se identifiquem. No palco, eu trabalho a atitude geral, que começa no repertório, montando a melhor sequência para que o show tenha uma dinâmica envolvente. Essa dinâmica vem junto com todos os textos, que são montados para captar a atenção e emoção do público. Fundamental também é a interação e linguagem não verbal entre o artista e o público, desde a colocação do pedestal na posição que mais o favorece, até as poses escolhidas para passar a mensagem com a firmeza que se quer passar. Esse é um trabalho que se assemelha à produção de uma música. Eu não posso chegar e colocar o meu ponto de vista e mudar ou criar tudo. Eu tenho que entender a forma de cada um pensar e agir para colocar para fora o melhor “eu” de cada um. Para isso eu dou as ferramentas, mas o público vai sempre ver o artista e sua individualidade. O show tem que ser um espetáculo, como um filme, com várias emoções diferentes, e o artista é um ator, buscando mostrar ao seu público como ele está se sentindo, ou como gostaria de estar se sentindo naquele momento. Isso é algo que trabalho muito também, o estado de espírito do artista, que tem que estar presente no seu show independente do que aconteceu no seu dia ou naquele momento. Ele tem uma missão com seu público e ali estará seu foco. Fora dos palcos eu preparo o artista para entrevistas, para que ele responda com naturalidade e com objetividade tudo sobre si mesmo e sua carreira. As rádios e televisões precisam de respostas claras, concisas e que você possa passar sua verdade. Quanto mais tempo ele passar agradecendo seus apoiadores e patrocinadores, menos vai falar do seu trabalho. Tem hora e lugar para tudo, e o artista normalmente não tem esse feeling sobre isso. O preparar para entrevistas já ajuda demais no ambiente digital, nas mídias sociais, onde ele vai estar lidando com os fãs o tempo todo. Uns mais calorosos, outros mais descontentes, mas que vão estar ávidos esperando uma resposta do seu ídolo. Quando não há uma empresa de Marketing Digital envolvida, eu gosto de orientar sobre as publicações, do que falar e do que não falar para manter a imagem que o artista quer passar. Quer falar mal de um time de futebol? Ok, mas muita gente que gosta de você pode não gostar mais. Isso te interessa? Falo também da periodicidade das publicações e da diferença das publicações para plataformas diferentes. O que se espera ver no Facebook, no Instagram, nos Stories, etc. Quando não há uma visagista, também procuro orientar sobre harmonia dos looks para o show. Todo esse trabalho é a ponta do Iceberg, pois só no dia a dia vou vendo as outras necessidades de cada artista para que eu possa trabalhar com ele.

ON STAGE LAB: Além das atividades já citadas, você empresaria bandas. Conte-nos sobre esse seu trabalho.
CAIO NORCIA: Isso é algo que me deixa muito contente e algo muito recente. Fui convidado no final de 2017 pela M-Music.BR, uma produtora nova mas já com pessoas bem experientes, para cuidar da seleção do cast deles pra 2018. Como estou nessa busca incessante por novos artistas e por trabalhar com eles, eu logo de cara aceitei! Tivemos uma primeira reunião que foi ótima, e logo me foi oferecida a sociedade na empresa. Então a partir desse momento, entrei para o time e estou oficialmente empresariando os artistas que eu encontrar. E já encontrei gente muito boa!

ON STAGE LAB: Na sua opinião, quais as atuais tendências do mercado musical no Brasil?
CAIO NORCIA: Eu cresci no rock e gostaria muito de colocar ele aqui em algum momento entre as tendências, mas não tenho como. O rock deixou de ter atitude, de conectar com o jovem e essa atitude hoje vemos no Sertanejo e no Funk. A mensagem deles conecta ao público de uma forma que os agrada, então não vejo como esses dois estilos saírem das paradas musicais em 2018. Pode diminuir? Sim, principalmente os estilos mais “puros” por assim dizer. O que eu vejo acontecer é a migração de todos os estilos para um cenário pop, onde você tem cada vez mais arranjos parecidos, misturando muita coisa eletrônica, onde você define o segmento baseado em quem está cantando, não mais no arranjo. Os “featurings” do Sertanejo já saturaram, eles já abusaram de todos os estilos, então é uma certeza que veremos novidades nesse sentido. O funk está trazendo novas vertentes, com arranjos melhorados para poder também embarcar mais no pop. A mensagem ainda é complicada de se aceitar, mas como eu disse, é uma atitude que chama a atenção e conecta a quem gosta. Eu aposto muito no eletrônico em 2018, seja ele entrando de cabeça em todos os outros estilos ou mesmo sozinho, com novos artistas aparecendo em função da facilidade de se produzir. Hoje em dia até no celular você consegue produzir uma música. Quem tem talento pode aparecer. Acredito muito no Rap também. É outro estilo que tem atitude e se souber falar aos jovens, pode se beneficiar do pop e chegar forte no mercado.

ON STAGE LAB: Como avalia o surgimento das mídias digitais para o mercado musical? Para onde está caminhando?
CAIO NORCIA: É de fundamental importância. Não dá para pensar em música hoje sem pensar nas mídias digitais. E a cada ano novas portas se abrem nesse sentido. Agora temos os novos YouTube Red e Spotlight por exemplo. Como essas mídias estarão integradas ao artista daqui a um ano? O foco da música é o ouvinte, é o fã, e para isso a música tem que estar onde ele está, que é no digital. Se você for planejar uma carreira do zero, você primeiro testa seu produto no digital, procura no digital onde está seu público, através do digital foca em material para aquele público até que você tenha uma quantidade suficiente de seguidores e fãs para poder sair do “online” e ir para o “offline”, que é o show propriamente dito. O modelo de fazer tudo às cegas, gravando, soltando e marcando shows para formar público já não funciona. Eu acredito que estamos caminhando cada vez mais para o artista se aproveitar do digital para estar próximo do seu público e, com isso construir uma relação muito mais a fundo do que ele constrói quando aparece numa TV, rádio ou show, e isso vai criar cada vez mais “superfãs” que vão querer consumir ainda mais o que o artista faz e produz. Por isso o posicionamento definido do artista é tão importante e por isso temos essa onda de YouTubers celebridades, por causa da proximidade e conexão que eles criam. Em termos de shows, o artista que está começando a ter resultados, por exemplo, em 2018 deve focar em shows menores, com ótimo feedback e ir crescendo aos poucos, testando seu trabalho e seu público. Não dê um passo maior que a perna, você não vai se consolidar despejando dinheiro em rádios e fechando um show num estádio. Temos todas as ferramentas hoje para entender e analisar os dados de público. A grande vantagem do digital é essa e temos que trabalhar focados nisso.

ON STAGE LAB: Qual a parte boa e a parte ruim sobre o declínio das gravadoras e o crescimento da autoadministração dos músicos nos dias de hoje?
CAIO NORCIA: A parte boa de uma gravadora (que ainda se mantém) é o network principalmente. Nem todas hoje fazem uma boa distribuição, com certeza elas não gravam mais seus artistas em seus estúdios, o que tira basicamente seu título de “gravadora” para mais uma administradora de carreira. Mesmo assim, ainda abocanham muito da arrecadação do artista na sua obra, o que a meu ver, não faz mais sentido se ela não o gravou. Pelo menos não na porcentagem atual. Seu departamento artístico também é algo a se valorizar, apesar de que vejo que nem sempre existe uma inteligência de mercado atrás das decisões. As decisões das gravadoras, bem como seus números, sempre foram algo meio obscuro para o artista, e isso é um dos principais benefícios do artista se auto gerir. Tomar conta da sua carreira é algo totalmente necessário, o artista tem que ser um business man, conhecer todos os processos, mas isso não quer dizer que ele tenha que fazer tudo. No começo, distribua as funções de mídia social, repertório, organização de ensaios e etc entre sua banda. O controle é total do artista, mas ele ainda não tem o network para crescer o suficiente, então é trabalhar o seu público, começar a crescer, ganhar experiência e continuar no controle, mas dessa vez contratando profissionais que possam levá-lo ao próximo estágio.

ON STAGE LAB: Antigamente muitas bandas eram capazes de lotar um estádio, diferentemente de hoje em dia. Quais seriam as causas disso?
CAIO NORCIA: Vejo isso muito forte no rock nacional. As bandas internacionais ainda tem muita força, porque elas têm um status diferente, um sentido de urgência, de escassez que faz com que os fãs comprem ingressos muito caros por não saber quando e se vão poder ver aquele artista de novo. No rock nacional essa escassez não existe, pelo menos não com a mesma força. Isso aliado ao fato das músicas não conectarem da mesma forma, faz com que para se encher uma casa de 1500 pessoas, normalmente tenha-se que juntar três bandas ou dois artistas de mais nome. E isso não é de hoje. Mas um só artista nacional lotar um estádio, eu só imagino se for alguma coisa que tenha explodido recente na mídia e que esteja causando uma grande curiosidade no público. Não imagino isso para um artista consolidado.

ON STAGE LAB: O crescimento de festivais no mundo seria uma consequência dessa carência de nomes capazes de lotar estádios?
CAIO NORCIA: Nós vemos que os festivais ainda funcionam porque unem públicos de várias tribos e nichos diferentes. Isso é bom para o contratante e para os artistas. O contratante consegue ótimos acordos, ingressos com valores muito bons e vários benefícios fiscais que de outra forma ele teria dificuldade. É muito mais trabalho mas muito mais retorno. Para o artista, ele tem uma exposição e um registro que o valorizam, mesmo isso não garantindo que ele vai ser contratado para um palco daquele sozinho, ele aos olhos do fã continua sendo “grande” e a magia fã-artista continua.

com Luciano Nassyn

com Luciano Nassyn

ON STAGE LAB: Aliás, você anda contribuindo com alguns projetos de festivais. Conte mais sobre esses festivais e o seu trabalho neles.
CAIO NORCIA: Sim, eu fui contratado pela Millenium Entertainment através da NRS Solutions do Luciano Nassyn para cuidarmos da curadoria do Festival Millenium e de outros Festivais que eles estão organizando. Serão Festivais que trarão atrações de peso internacional e nacional de 2018 a 2020. O meu trabalho com eles é escolher quais as bandas que farão parte da grade do evento e montar todo o cronograma de horários entre as arenas para todos os dias de Festival, bem como auxiliar os Diretores de Palco. Além disso, em cada Festival haverão 15 bandas e/ou artistas iniciantes, mas com potencial artístico grande, que eu e o Luciano estamos escolhendo para participar desses festivais, como forma de impulsionar suas carreiras. Além da visibilidade, eles estarão tocando nos mesmos palcos que as grandes atrações. Estou negociando uma parceria grande para essas bandas e artistas independentes, e se tudo der certo, um desses artistas vai sair de lá com uma estrutura que ele nem imagina para a sua carreira. Vai que o cenário muda e encontramos uma baita banda de rock? Estou de dedos cruzados!

ON STAGE LAB: Para onde caminha a música?
CAIO NORCIA: Eu sou otimista. Vejo que os artistas estão cada vez mais se educando e entendendo a necessidade de fazer música para o outro e não para si mesmo. Estão aos poucos entendendo a música como uma profissão séria e que precisa dar resultados. Não é hobby, não é só arte, é conexão e resultados. Vai estar em evidência quem souber dizer o que o público quer ouvir e esse público não é tão segmentando quanto se pensa. Isso é essencial de se entender. A mesma menina que no final de semana quer rebolar até o chão com um funk, é a que pode estar chorando um amor não correspondido numa terça à noite ao som de Tiago Iorc. A música vai caminhar para quem conseguir essa conexão, seja no estilo que for.

ON STAGE LAB: “Nada se cria, tudo se copia” ? Se sim, desde quando?
CAIO NORCIA: Não tenho dúvida que sim! Essa frase veio “adaptada” do Lavoisier pelo Chacrinha falando sobre a TV brasileira e ele estava certo! Steve Jobs, Bill Gates, todos copiam. Na música quase todos copiam. E não falo de plágio, o que acontece bastante, mas da cópia como inspiração, como direção. No começo de carreira todos temos inspiração, o músico quer tocar como o Steve Vai, daí ele tenta copiar o ídolo, não consegue e cria algo dele no processo. Ainda falando de guitarristas de sucesso, quando eles resolveram “copiar” arranjos para violinos e metais por exemplo, veja o quanto a música deles cresceu! É a coisa do “quem copia e é pego, é ladrão. Quem copia e ninguém percebe é gênio”. Dentro do Show Business você teve o American Idol que foi um sucesso. Daí não demorou para aparecerem vários programas copiando a fórmula. Tivemos Charlie Brown Jr e CPM22 e seus sucessos trouxeram uma tonelada de bandas soando exatamente iguais a eles. O exato não funciona, ninguém quer ouvir a cópia e ela sempre vai estar abaixo da original. Copie algo inusitado dentro de algo novo e veja o que acontece!

ON STAGE LAB: E para finalizar, quais os conselhos de Caio Norcia para quem quiser seguir nessas carreiras musicais?
CAIO NORCIA: Para qualquer carreira hoje, seja a de Engenheiro de Som, de Road Manager, Produtor Musical ou Produtor Artístico, você precisa estar antenado com seu público, que são seus futuros clientes. Então começar a se divulgar, aparecer, seja notado, faça muito network e exponha seu trabalho de alguma forma. O importante é não esperar estar preparado. Isso não existe. Você se ajusta à medida que vai fazendo e aprendendo com o processo. Comece com o que tem e faça o que você pode. Tenha certeza que tem alguém aí fora esperando o que você tem para dizer. E estude muito! Sempre!
Abraços a todos e muito obrigado!

Caio Norcia

Por Deca Pertrini

Caio Norcia começou a vida no meio artístico bem cedo, aos sete anos de idade. Como a grande maioria desse meio, passou por várias etapas durante a sua carreira, acumulando vasta experiência no assunto de Direção Artística e Empresariamento.

Profissional qualificado em:

– Live Stage Producer: Mentor de artistas e bandas em shows ao vivo, tratando de postura de palco, voz, cenário, luzes, etc.

– Todos os processos que envolvem a produção musical, dentre eles:

– Acompanhamento de pré-produção;
– Re-harmonização;
– Direcionamento instrumental e vocal;
– Re-arranjos
– Gravação multi-pista via DAW
– Edição digital de vozes e instrumentos;
– Criação digital de vozes e acompanhamentos;
– Mixagem;
– Masterização.

– Hardware e montagem de CPU;

– Plataformas Mac e Windows;

– Gravação e Edição de Vídeos

Caio possui o seu canal no youtube, com super dicas, principalmente para produtores e músicos.

ON STAGE LAB: Qual foi o seu primeiro contato com o meio artístico?
CAIO NORCIA: Olá a todos! Bom, vamos lá! Meu primeiro contato com o mundo artístico foi aos sete anos de idade, quando minha mãe, decoradora na época, conheceu o pai do Luciano do Trem da Alegria, grupo infantil que estava estourado em todo o Brasil. Conheci o Luciano e logo viramos melhores amigos, eu o acompanhava a shows e programas de TV. Nesse momento entrei num grupo infantil e comecei a ter um pouco do gostinho do mundo artístico também.

ON STAGE LAB: Qual foi o seu primeiro contato com o meio artístico?
CAIO NORCIA: Olá a todos! Bom, vamos lá! Meu primeiro contato com o mundo artístico foi aos sete anos de idade, quando minha mãe, decoradora na época, conheceu o pai do Luciano do Trem da Alegria, grupo infantil que estava estourado em todo o Brasil. Conheci o Luciano e logo viramos melhores amigos, eu o acompanhava a shows e programas de TV. Nesse momento entrei num grupo infantil e comecei a ter um pouco do gostinho do mundo artístico também.

ON STAGE LAB: Qual foi o seu primeiro contato com o meio artístico?
CAIO NORCIA: Olá a todos! Bom, vamos lá! Meu primeiro contato com o mundo artístico foi aos sete anos de idade, quando minha mãe, decoradora na época, conheceu o pai do Luciano do Trem da Alegria, grupo infantil que estava estourado em todo o Brasil. Conheci o Luciano e logo viramos melhores amigos, eu o acompanhava a shows e programas de TV. Nesse momento entrei num grupo infantil e comecei a ter um pouco do gostinho do mundo artístico também.

ON STAGE LAB: Qual foi o seu primeiro contato com o meio artístico?
CAIO NORCIA: Olá a todos! Bom, vamos lá! Meu primeiro contato com o mundo artístico foi aos sete anos de idade, quando minha mãe, decoradora na época, conheceu o pai do Luciano do Trem da Alegria, grupo infantil que estava estourado em todo o Brasil. Conheci o Luciano e logo viramos melhores amigos, eu o acompanhava a shows e programas de TV. Nesse momento entrei num grupo infantil e comecei a ter um pouco do gostinho do mundo artístico também.

ON STAGE LAB: Como foi a sua experiência como músico?
CAIO NORCIA: Essa foi uma experiência que começou no violão, lá pelos meus doze anos. Eu logo fiquei entediado, porque eu queria tocar guitarra e ainda não tinha entendido isso, rs. Mas logo conheci o Gun’s N Roses e o Iron Maiden, e a vontade de tocar não saiu mais de mim. Tive muitas bandas no colegial, mas tocar profissionalmente veio anos depois, novamente com o Luciano, quando montamos um projeto que começou simples, eu e ele tocando violões, até o projeto ir tomando forma e excursionarmos com banda por várias cidades do Brasil, fazendo shows para milhares de pessoas, como os shows que fizemos no Circo Voador no Rio.

ON STAGE LAB: Quais foram as etapas seguintes?
CAIO NORCIA: Depois de pegar muita experiência com os shows e produção, eu descobri que havia mais uma parte nesse cenário da música que eu também gostava demais… o estúdio de gravação! Então o processo seguinte foi estudar muito, dar muita cabeçada aprendendo tudo o que eu podia sobre áudio, edição, mixagem e masterização. Eu não sabia como eu sairia do meu quarto um dia, mas como diz o ditado, quando o discípulo está pronto o Mestre aparece. Falaremos disso mais pra frente, rs.

ON STAGE LAB: Como foi a oportunidade de ingressar na carreira de road manager? O que aprendeu nessa profissão?
CAIO NORCIA: Taí outra coisa que gosto muito! A primeira oportunidade veio lá pelos meus vinte e poucos anos, quando minha mãe, nesse momento empresária da Dupla Rosa e Rosinha, precisou de alguém pra ir pra estrada e resolver tudo o que fosse necessário. Na época eu estava fazendo um estágio num Banco para poder terminar a faculdade, e não estava tocando, então foi uma ótima oportunidade de ficar perto do cenário artístico de novo. Como Road Manager eu aprendi que preparação e controle são essenciais para fazer um show acontecer. Você tem que saber e entender tudo o que está acontecendo no palco e fora dele, para resolver rapidamente o que pode resolver e, o que não pode, saber quem é a pessoa que pode e onde ela está. A agilidade em tomar decisões é fundamental.

ON STAGE LAB: Quais as funções de um road manager?
CAIO NORCIA: Eu percebi ao longo dos anos que isso não é algo bem definido entre os profissionais e, para falar a verdade eu nunca soube ao certo. Eu só sabia que tudo tinha que acontecer e que eu era o responsável por isso. Nunca tive um mentor, eu aprendi na raça. Para mim, meu trabalho começa no momento que o vendedor de shows me passa a informação de que o show foi vendido e o telefone do contratante. Nesse momento eu entro em contato e começo a coletar todos os telefones dos responsáveis por som, luz, camarim, hotel, rádios e o que mais for necessário para começar a organizar a agenda. A partir disso eu monto um book, onde coloco as informações de translado, hotel e seus devidos quartos já separados, horários de passagem de som, de show, de entrevistas, itinerários, opções de restaurantes da região, telefones de contato da equipe e dos responsáveis. Com isso ninguém “se perde” do resto da equipe e conseguimos deixar tudo organizado. Isso é uma parte, a outra acontece no local do evento, onde eu cuido e checo o camarim, as entradas e saídas do artista, a montagem do palco, a chegada e saída da equipe e resolver todos os possíveis problemas que acontecerem, conhecendo todos os profissionais que trabalham no evento.

ON STAGE LAB: Conte-nos sobre a sua experiência em estúdios de gravação. Com quem trabalhou?
CAIO NORCIA: Minha experiência com estúdios começou com gravação de coros nos discos do Atchim e Espirro quando eu estava conhecendo o mundo artístico. Ali conheci o Caio Flávio, lenda na indústria por seus trabalhos com vários artistas de ponta. Anos depois eu viria a gravar guitarra para um trabalho lá no Mosh. Nesse momento, aos meus 16 anos, eu entendi o que era um estúdio de gravação e como aquilo era incrível. Depois disso, o primeiro estúdio grande e que tinha volume de trabalho que eu estive foi o RW Studios, do Rodrigo Pimentel. Ele foi um dos meus primeiros mestres de verdade, me mostrando todo o processo de gravação e me fazendo entender o áudio. Ali minha consciência de áudio e música se expandiu, porque ele trabalhava basicamente gravando as Escolas de Samba que conhecemos, e eu aprendi desde afinar os três surdos para soarem harmoniosos entre si (e dentro do tom de cada música) até entender como que todos aqueles instrumentos, na grande maioria na faixa média e aguda do espectro, podiam soar separados e audíveis entre vários outros. Como técnico de gravação e editor de vozes, ganhei ali dois Discos de Ouro com nossos trabalhos.

Caio Norcia 3

ON STAGE LAB: O que significou seu primeiro contato com softwares de gravação? O conhecimento que você foi adquirindo para dominá-los veio de onde?
CAIO NORCIA: Meu primeiro contato com softwares de gravação veio com o Fabiano Rodrigues, na época guitarrista do Kroma, quarteto de guitarras que tem com um dos fundadores o Heraldo Paarmann. Eu morei com o Fabiano por um tempo e tínhamos um projeto para uma banda de metal melódico. Nessa época ele estava transcrevendo o songbook do Angra, o Rebirth, então não era incomum o Kiko vir em casa. Estavam para lançar as vídeo aulas dele também, então acabei conhecendo o Sidney Carvalho, produtor e diretor das vídeo aulas do Kiko na época. O Fabiano era o cara que entendia das gravações em computador e, ter que esperar ele estar em casa ou estar disponível para eu gravar minhas idéias era algo que me incomodava, então um dia pedi permissão para ficar uma tarde toda mexendo no programa, e aprendi o básico (na época não haviam vídeo aulas ou YouTube mostrando como se usar qualquer coisa), e com ele aprendi o que faziam os plugins e como gravar num software multipista. Daí pra frente foi na cara e na coragem, testando, criando, editando, aprendendo e sempre refazendo esse ciclo. Foi a época que mais compus. Entendi que aquele era um universo que não tinha limites.

ON STAGE LAB: Como surgiu u para a sua carreira estagiar com Paulo Anhaia, no renomado Estúdio Midas?
CAIO NORCIA: A história do Paulo foi uma daquelas coisas que tinha que acontecer, de hora certa no lugar certo. Eu estava uma noite em casa gravando uma base e meu baixo estava com um ruído muito chato por falta de aterramento. Eu já estava desistindo de gravar quando resolvi ir para a internet buscar o que fazer e, sem a menor pretensão de ter uma resposta, vi o Paulo Anhaia, engenheiro renomado, ali online e resolvi arriscar, dizendo a ele meu problema e se ele tinha alguma dica para resolver isso. A dica dele eu nunca vou esquecer: “Cara, isso é complicado mesmo, mas faz o seguinte, passa aqui em casa e pega o meu baixo!” Eu achei que era brincadeira, mas não era. Esse é o jeito do Paulo, um cara humilde, de coração enorme que está sempre disposto a ajudar. Para a minha surpresa, quando ele me passa o endereço da casa dele, descubro que moramos a dois quarteirões um do outro, e para minha surpresa ainda maior, eu estava morando na rua ao lado da rua do Midas e não sabia! Naquela noite peguei o baixo dele e começamos uma amizade. Ele me ajudou demais, veio em casa, “consertou” uma mix que eu tinha feito, onde ele basicamente tirou os 600 plugins que eu havia colocado e colocou um eq e um compressor por canal e soou incrível! Ali naquele momento senti a separação de engenheiro de quarto pra um Engenheiro de verdade! Com muita paciência, ele me mostrou o que é uma edição, e como usar os recursos do Pro Tools. Durante vários meses eu editei todos os trabalhos dele, fazendo afinação das vozes e editando bateria. Um desses trabalhos aconteceu no Midas, onde conheci a equipe toda e o Rick Bonadio. Depois de uma entrevista com os gerentes, eu em breve estava começando a trabalhar lá. Foi uma escola absurda em termos de áudio, com salas projetadas e equipamentos que eu só encontrava em vídeos internacionais, mas principalmente foi uma escola em termos artísticos. Eu estava ali entendendo como eram criadas as músicas que eu ouviria na rádio nos meses seguintes, como eram planejados os shows, as gravações de DVD, os clipes, as sessões de foto, enfim, toda a mentalidade por trás dos sucessos que estavam acontecendo. Trabalhar com o Rick foi uma escola que não tem preço para entender como o mercado funciona e como funcionaram os seus sucessos.

ON STAGE LAB: Você tem um canal no youtube com super dicas sobre o mercado musical. De onde partiu a ideia?
CAIO NORCIA: Foi uma coisa que aconteceu naturalmente depois de trabalhar com várias bandas e artistas. Eu sempre ficava dando toques ou dicas dentro do trabalho deles. Principalmente eu produzia as músicas já imaginando como elas seriam tocadas no show e como o artista poderia aproveitar isso para entreter o público. Isso era natural para mim e sempre foi. Eu cresci em volta disso e sabia por instinto o que funcionava e o que não conectava. Chegou um momento que eu pensei que não adiantava reclamar para mim mesmo que os artistas gravavam muito bem em estúdio mas depois ao vivo, “apagavam”. Eu podia colocar toda essa bagagem para fora e ajudar as bandas a ter um show melhor! Então meu canal, que num primeiro momento tinha dicas de áudio, começou a ser voltado para o Artista.

ON STAGE LAB: Conte um pouco sobre o seu trabalho de direção artística. O que faz um diretor artístico?
CAIO NORCIA: Eu faço um trabalho que na verdade abrange mais do que isso, a Direção Artística em si. O meu trabalho com o artista é completo. É imersivo, instigador. Eu preciso tirar dele uma atitude que ele muitas vezes tem mas que não coloca para fora, fazendo só o “necessário” para estar onde está. Comigo isso não funciona. Então eu chego olhando o todo, olhando o que ele está vendendo como artista e como personalidade, porque o artista hoje tem que existir além de sua música. Ele precisa ser alguém com uma voz, uma atitude e um posicionamento perante a sociedade e seus fãs. Isso se reflete no palco, nas redes socias, na roupa dele, no jeito de falar. E isso tem que ser um relacionamento constante. Ele tem que estar presente e determinado, para que as pessoas notem e se identifiquem. No palco, eu trabalho a atitude geral, que começa no repertório, montando a melhor sequência para que o show tenha uma dinâmica envolvente. Essa dinâmica vem junto com todos os textos, que são montados para captar a atenção e emoção do público. Fundamental também é a interação e linguagem não verbal entre o artista e o público, desde a colocação do pedestal na posição que mais o favorece, até as poses escolhidas para passar a mensagem com a firmeza que se quer passar. Esse é um trabalho que se assemelha à produção de uma música. Eu não posso chegar e colocar o meu ponto de vista e mudar ou criar tudo. Eu tenho que entender a forma de cada um pensar e agir para colocar para fora o melhor “eu” de cada um. Para isso eu dou as ferramentas, mas o público vai sempre ver o artista e sua individualidade. O show tem que ser um espetáculo, como um filme, com várias emoções diferentes, e o artista é um ator, buscando mostrar ao seu público como ele está se sentindo, ou como gostaria de estar se sentindo naquele momento. Isso é algo que trabalho muito também, o estado de espírito do artista, que tem que estar presente no seu show independente do que aconteceu no seu dia ou naquele momento. Ele tem uma missão com seu público e ali estará seu foco. Fora dos palcos eu preparo o artista para entrevistas, para que ele responda com naturalidade e com objetividade tudo sobre si mesmo e sua carreira. As rádios e televisões precisam de respostas claras, concisas e que você possa passar sua verdade. Quanto mais tempo ele passar agradecendo seus apoiadores e patrocinadores, menos vai falar do seu trabalho. Tem hora e lugar para tudo, e o artista normalmente não tem esse feeling sobre isso. O preparar para entrevistas já ajuda demais no ambiente digital, nas mídias sociais, onde ele vai estar lidando com os fãs o tempo todo. Uns mais calorosos, outros mais descontentes, mas que vão estar ávidos esperando uma resposta do seu ídolo. Quando não há uma empresa de Marketing Digital envolvida, eu gosto de orientar sobre as publicações, do que falar e do que não falar para manter a imagem que o artista quer passar. Quer falar mal de um time de futebol? Ok, mas muita gente que gosta de você pode não gostar mais. Isso te interessa? Falo também da periodicidade das publicações e da diferença das publicações para plataformas diferentes. O que se espera ver no Facebook, no Instagram, nos Stories, etc. Quando não há uma visagista, também procuro orientar sobre harmonia dos looks para o show. Todo esse trabalho é a ponta do Iceberg, pois só no dia a dia vou vendo as outras necessidades de cada artista para que eu possa trabalhar com ele.

ON STAGE LAB: Além das atividades já citadas, você empresaria bandas. Conte-nos sobre esse seu trabalho.
CAIO NORCIA: Isso é algo que me deixa muito contente e algo muito recente. Fui convidado no final de 2017 pela M-Music.BR, uma produtora nova mas já com pessoas bem experientes, para cuidar da seleção do cast deles pra 2018. Como estou nessa busca incessante por novos artistas e por trabalhar com eles, eu logo de cara aceitei! Tivemos uma primeira reunião que foi ótima, e logo me foi oferecida a sociedade na empresa. Então a partir desse momento, entrei para o time e estou oficialmente empresariando os artistas que eu encontrar. E já encontrei gente muito boa!

ON STAGE LAB: Na sua opinião, quais as atuais tendências do mercado musical no Brasil?
CAIO NORCIA: Eu cresci no rock e gostaria muito de colocar ele aqui em algum momento entre as tendências, mas não tenho como. O rock deixou de ter atitude, de conectar com o jovem e essa atitude hoje vemos no Sertanejo e no Funk. A mensagem deles conecta ao público de uma forma que os agrada, então não vejo como esses dois estilos saírem das paradas musicais em 2018. Pode diminuir? Sim, principalmente os estilos mais “puros” por assim dizer. O que eu vejo acontecer é a migração de todos os estilos para um cenário pop, onde você tem cada vez mais arranjos parecidos, misturando muita coisa eletrônica, onde você define o segmento baseado em quem está cantando, não mais no arranjo. Os “featurings” do Sertanejo já saturaram, eles já abusaram de todos os estilos, então é uma certeza que veremos novidades nesse sentido. O funk está trazendo novas vertentes, com arranjos melhorados para poder também embarcar mais no pop. A mensagem ainda é complicada de se aceitar, mas como eu disse, é uma atitude que chama a atenção e conecta a quem gosta. Eu aposto muito no eletrônico em 2018, seja ele entrando de cabeça em todos os outros estilos ou mesmo sozinho, com novos artistas aparecendo em função da facilidade de se produzir. Hoje em dia até no celular você consegue produzir uma música. Quem tem talento pode aparecer. Acredito muito no Rap também. É outro estilo que tem atitude e se souber falar aos jovens, pode se beneficiar do pop e chegar forte no mercado.

ON STAGE LAB: Como avalia o surgimento das mídias digitais para o mercado musical? Para onde está caminhando?
CAIO NORCIA: É de fundamental importância. Não dá para pensar em música hoje sem pensar nas mídias digitais. E a cada ano novas portas se abrem nesse sentido. Agora temos os novos YouTube Red e Spotlight por exemplo. Como essas mídias estarão integradas ao artista daqui a um ano? O foco da música é o ouvinte, é o fã, e para isso a música tem que estar onde ele está, que é no digital. Se você for planejar uma carreira do zero, você primeiro testa seu produto no digital, procura no digital onde está seu público, através do digital foca em material para aquele público até que você tenha uma quantidade suficiente de seguidores e fãs para poder sair do “online” e ir para o “offline”, que é o show propriamente dito. O modelo de fazer tudo às cegas, gravando, soltando e marcando shows para formar público já não funciona. Eu acredito que estamos caminhando cada vez mais para o artista se aproveitar do digital para estar próximo do seu público e, com isso construir uma relação muito mais a fundo do que ele constrói quando aparece numa TV, rádio ou show, e isso vai criar cada vez mais “superfãs” que vão querer consumir ainda mais o que o artista faz e produz. Por isso o posicionamento definido do artista é tão importante e por isso temos essa onda de YouTubers celebridades, por causa da proximidade e conexão que eles criam. Em termos de shows, o artista que está começando a ter resultados, por exemplo, em 2018 deve focar em shows menores, com ótimo feedback e ir crescendo aos poucos, testando seu trabalho e seu público. Não dê um passo maior que a perna, você não vai se consolidar despejando dinheiro em rádios e fechando um show num estádio. Temos todas as ferramentas hoje para entender e analisar os dados de público. A grande vantagem do digital é essa e temos que trabalhar focados nisso.

Caio Norcia 2

ON STAGE LAB: Qual a parte boa e a parte ruim sobre o declínio das gravadoras e o crescimento da autoadministração dos músicos nos dias de hoje?
CAIO NORCIA: A parte boa de uma gravadora (que ainda se mantém) é o network principalmente. Nem todas hoje fazem uma boa distribuição, com certeza elas não gravam mais seus artistas em seus estúdios, o que tira basicamente seu título de “gravadora” para mais uma administradora de carreira. Mesmo assim, ainda abocanham muito da arrecadação do artista na sua obra, o que a meu ver,  não faz mais sentido se ela não o gravou. Pelo menos não na porcentagem atual. Seu departamento artístico também é algo a se valorizar, apesar de que vejo que nem sempre existe uma inteligência de mercado atrás das decisões. As decisões das gravadoras, bem como seus números, sempre foram algo meio obscuro para o artista, e isso é um dos principais benefícios do artista se auto gerir. Tomar conta da sua carreira é algo totalmente necessário, o artista tem que ser um business man, conhecer todos os processos, mas isso não quer dizer que ele tenha que fazer tudo. No começo, distribua as funções de mídia social, repertório, organização de ensaios e etc entre sua banda. O controle é total do artista, mas ele ainda não tem o network para crescer o suficiente, então é trabalhar o seu público, começar a crescer, ganhar experiência e continuar no controle, mas dessa vez contratando profissionais que possam levá-lo ao próximo estágio.

ON STAGE LAB: Antigamente muitas bandas eram capazes de lotar um estádio, diferentemente de hoje em dia. Quais seriam as causas disso?
CAIO NORCIA: Vejo isso muito forte no rock nacional. As bandas internacionais ainda tem muita força, porque elas têm um status diferente, um sentido de urgência, de escassez que faz com que os fãs comprem ingressos muito caros por não saber quando e se vão poder ver aquele artista de novo. No rock nacional essa escassez não existe, pelo menos não com a mesma força. Isso aliado ao fato das músicas não conectarem da mesma forma, faz com que para se encher uma casa de 1500 pessoas, normalmente tenha-se que juntar três bandas ou dois artistas de mais nome. E isso não é de hoje. Mas um só artista nacional lotar um estádio, eu só imagino se for alguma coisa que tenha explodido recente na mídia e que esteja causando uma grande curiosidade no público. Não imagino isso para um artista consolidado.

ON STAGE LAB: O crescimento de festivais no mundo seria uma consequência dessa carência de nomes capazes de lotar estádios?
CAIO NORCIA: Nós vemos que os festivais ainda funcionam porque unem públicos de várias tribos e nichos diferentes. Isso é bom para o contratante e para os artistas. O contratante consegue ótimos acordos, ingressos com valores muito bons e vários benefícios fiscais que de outra forma ele teria dificuldade. É muito mais trabalho mas muito mais retorno. Para o artista, ele tem uma exposição e um registro que o valorizam, mesmo isso não garantindo que ele vai ser contratado para um palco daquele sozinho, ele aos olhos do fã continua sendo “grande” e a magia fã-artista continua.

ON STAGE LAB: Aliás, você anda contribuindo com alguns projetos de festivais. Conte mais sobre esses festivais e o seu trabalho neles.
CAIO NORCIA: Sim, eu fui contratado pela Millenium Entertainment através da NRS Solutions do Luciano Nassyn para cuidarmos da curadoria do Festival Millenium e de outros Festivais que eles estão organizando. Serão Festivais que trarão atrações de peso internacional e nacional de 2018 a 2020. O meu trabalho com eles é escolher quais as bandas que farão parte da grade do evento e montar todo o cronograma de horários entre as arenas para todos os dias de Festival, bem como auxiliar os Diretores de Palco. Além disso, em cada Festival haverão 15 bandas e/ou artistas iniciantes, mas com potencial artístico grande, que eu e o Luciano estamos escolhendo para participar desses festivais, como forma de impulsionar suas carreiras. Além da visibilidade, eles estarão tocando nos mesmos palcos que as grandes atrações. Estou negociando uma parceria grande para essas bandas e artistas independentes, e se tudo der certo, um desses artistas vai sair de lá com uma estrutura que ele nem imagina para a sua carreira. Vai que o cenário muda e encontramos uma baita banda de rock? Estou de dedos cruzados!

com Luciano Nassyn

com Luciano Nassyn

ON STAGE LAB: Para onde caminha a música?
CAIO NORCIA: Eu sou otimista. Vejo que os artistas estão cada vez mais se educando e entendendo a necessidade de fazer música para o outro e não para si mesmo. Estão aos poucos entendendo a música como uma profissão séria e que precisa dar resultados. Não é hobby, não é só arte, é conexão e resultados. Vai estar em evidência quem souber dizer o que o público quer ouvir e esse público não é tão segmentando quanto se pensa. Isso é essencial de se entender. A mesma menina que no final de semana quer rebolar até o chão com um funk, é a que pode estar chorando um amor não correspondido numa terça à noite ao som de Tiago Iorc. A música vai caminhar para quem conseguir essa conexão, seja no estilo que for.

ON STAGE LAB: “Nada se cria, tudo se copia” ? Se sim, desde quando?
CAIO NORCIA: Não tenho dúvida que sim! Essa frase veio “adaptada” do Lavoisier pelo Chacrinha falando sobre a TV brasileira e ele estava certo! Steve Jobs, Bill Gates, todos copiam. Na música quase todos copiam. E não falo de plágio, o que acontece bastante, mas da cópia como inspiração, como direção. No começo de carreira todos temos inspiração, o músico quer tocar como o Steve Vai, daí ele tenta copiar o ídolo, não consegue e cria algo dele no processo. Ainda falando de guitarristas de sucesso, quando eles resolveram “copiar” arranjos para violinos e metais por exemplo, veja o quanto a música deles cresceu! É a coisa do “quem copia e é pego, é ladrão. Quem copia e ninguém percebe é gênio”. Dentro do Show Business você teve o American Idol que foi um sucesso. Daí não demorou para aparecerem vários programas copiando a fórmula. Tivemos Charlie Brown Jr e CPM22 e seus sucessos trouxeram uma tonelada de bandas soando exatamente iguais a eles. O exato não funciona, ninguém quer ouvir a cópia e ela sempre vai estar abaixo da original. Copie algo inusitado dentro de algo novo e veja o que acontece!

ON STAGE LAB: E para finalizar, quais os conselhos de Caio Norcia para quem quiser seguir nessas carreiras musicais?
CAIO NORCIA: Para qualquer carreira hoje, seja a de Engenheiro de Som, de Road Manager, Produtor Musical ou Produtor Artístico, você precisa estar antenado com seu público, que são seus futuros clientes. Então começar a se divulgar, aparecer, seja notado, faça muito network e exponha seu trabalho de alguma forma. O importante é não esperar estar preparado. Isso não existe. Você se ajusta à medida que vai fazendo e aprendendo com o processo. Comece com o que tem e faça o que você pode. Tenha certeza que tem alguém aí fora esperando o que você tem para dizer. E estude muito! Sempre!
Abraços a todos e muito obrigado!

Caio Norcia

 

Por Deca Pertrini

Caio Norcia começou a vida no meio artístico bem cedo, aos sete anos de idade. Como a grande maioria desse meio, passou por várias etapas durante a sua carreira, acumulando vasta experiência no assunto de Direção Artística e Empresariamento.

Profissional qualificado em:

– Live Stage Producer: Mentor de artistas e bandas em shows ao vivo, tratando de postura de palco, voz, cenário, luzes, etc.

– Todos os processos que envolvem a produção musical, dentre eles:

– Acompanhamento de pré-produção;
– Re-harmonização;
– Direcionamento instrumental e vocal;
– Re-arranjos
– Gravação multi-pista via DAW
– Edição digital de vozes e instrumentos;
– Criação digital de vozes e acompanhamentos;
– Mixagem;
– Masterização.

– Hardware e montagem de CPU;

– Plataformas Mac e Windows;

– Gravação e Edição de Vídeos

Caio possui o seu canal no youtube, com super dicas, principalmente para produtores e músicos.

ON STAGE LAB: Qual foi o seu primeiro contato com o meio artístico?
CAIO NORCIA: Olá a todos! Bom, vamos lá! Meu primeiro contato com o mundo artístico foi aos sete anos de idade, quando minha mãe, decoradora na época, conheceu o pai do Luciano do Trem da Alegria, grupo infantil que estava estourado em todo o Brasil. Conheci o Luciano e logo viramos melhores amigos, eu o acompanhava a shows e programas de TV. Nesse momento entrei num grupo infantil e comecei a ter um pouco do gostinho do mundo artístico também.

ON STAGE LAB: Qual foi o seu primeiro contato com o meio artístico?
CAIO NORCIA: Olá a todos! Bom, vamos lá! Meu primeiro contato com o mundo artístico foi aos sete anos de idade, quando minha mãe, decoradora na época, conheceu o pai do Luciano do Trem da Alegria, grupo infantil que estava estourado em todo o Brasil. Conheci o Luciano e logo viramos melhores amigos, eu o acompanhava a shows e programas de TV. Nesse momento entrei num grupo infantil e comecei a ter um pouco do gostinho do mundo artístico também.

ON STAGE LAB: Qual foi o seu primeiro contato com o meio artístico?
CAIO NORCIA: Olá a todos! Bom, vamos lá! Meu primeiro contato com o mundo artístico foi aos sete anos de idade, quando minha mãe, decoradora na época, conheceu o pai do Luciano do Trem da Alegria, grupo infantil que estava estourado em todo o Brasil. Conheci o Luciano e logo viramos melhores amigos, eu o acompanhava a shows e programas de TV. Nesse momento entrei num grupo infantil e comecei a ter um pouco do gostinho do mundo artístico também.

ON STAGE LAB: Qual foi o seu primeiro contato com o meio artístico?
CAIO NORCIA: Olá a todos! Bom, vamos lá! Meu primeiro contato com o mundo artístico foi aos sete anos de idade, quando minha mãe, decoradora na época, conheceu o pai do Luciano do Trem da Alegria, grupo infantil que estava estourado em todo o Brasil. Conheci o Luciano e logo viramos melhores amigos, eu o acompanhava a shows e programas de TV. Nesse momento entrei num grupo infantil e comecei a ter um pouco do gostinho do mundo artístico também.

ON STAGE LAB: Como foi a sua experiência como músico?
CAIO NORCIA: Essa foi uma experiência que começou no violão, lá pelos meus doze anos. Eu logo fiquei entediado, porque eu queria tocar guitarra e ainda não tinha entendido isso, rs. Mas logo conheci o Gun’s N Roses e o Iron Maiden, e a vontade de tocar não saiu mais de mim. Tive muitas bandas no colegial, mas tocar profissionalmente veio anos depois, novamente com o Luciano, quando montamos um projeto que começou simples, eu e ele tocando violões, até o projeto ir tomando forma e excursionarmos com banda por várias cidades do Brasil, fazendo shows para milhares de pessoas, como os shows que fizemos no Circo Voador no Rio.

ON STAGE LAB: Quais foram as etapas seguintes?
CAIO NORCIA: Depois de pegar muita experiência com os shows e produção, eu descobri que havia mais uma parte nesse cenário da música que eu também gostava demais… o estúdio de gravação! Então o processo seguinte foi estudar muito, dar muita cabeçada aprendendo tudo o que eu podia sobre áudio, edição, mixagem e masterização. Eu não sabia como eu sairia do meu quarto um dia, mas como diz o ditado, quando o discípulo está pronto o Mestre aparece. Falaremos disso mais pra frente, rs.

ON STAGE LAB: Como foi a oportunidade de ingressar na carreira de road manager? O que aprendeu nessa profissão?
CAIO NORCIA: Taí outra coisa que gosto muito! A primeira oportunidade veio lá pelos meus vinte e poucos anos, quando minha mãe, nesse momento empresária da Dupla Rosa e Rosinha, precisou de alguém pra ir pra estrada e resolver tudo o que fosse necessário. Na época eu estava fazendo um estágio num Banco para poder terminar a faculdade, e não estava tocando, então foi uma ótima oportunidade de ficar perto do cenário artístico de novo. Como Road Manager eu aprendi que preparação e controle são essenciais para fazer um show acontecer. Você tem que saber e entender tudo o que está acontecendo no palco e fora dele, para resolver rapidamente o que pode resolver e, o que não pode, saber quem é a pessoa que pode e onde ela está. A agilidade em tomar decisões é fundamental.

ON STAGE LAB: Quais as funções de um road manager?
CAIO NORCIA: Eu percebi ao longo dos anos que isso não é algo bem definido entre os profissionais e, para falar a verdade eu nunca soube ao certo. Eu só sabia que tudo tinha que acontecer e que eu era o responsável por isso. Nunca tive um mentor, eu aprendi na raça. Para mim, meu trabalho começa no momento que o vendedor de shows me passa a informação de que o show foi vendido e o telefone do contratante. Nesse momento eu entro em contato e começo a coletar todos os telefones dos responsáveis por som, luz, camarim, hotel, rádios e o que mais for necessário para começar a organizar a agenda. A partir disso eu monto um book, onde coloco as informações de translado, hotel e seus devidos quartos já separados, horários de passagem de som, de show, de entrevistas, itinerários, opções de restaurantes da região, telefones de contato da equipe e dos responsáveis. Com isso ninguém “se perde” do resto da equipe e conseguimos deixar tudo organizado. Isso é uma parte, a outra acontece no local do evento, onde eu cuido e checo o camarim, as entradas e saídas do artista, a montagem do palco, a chegada e saída da equipe e resolver todos os possíveis problemas que acontecerem, conhecendo todos os profissionais que trabalham no evento.

ON STAGE LAB: Conte-nos sobre a sua experiência em estúdios de gravação. Com quem trabalhou?
CAIO NORCIA: Minha experiência com estúdios começou com gravação de coros nos discos do Atchim e Espirro quando eu estava conhecendo o mundo artístico. Ali conheci o Caio Flávio, lenda na indústria por seus trabalhos com vários artistas de ponta. Anos depois eu viria a gravar guitarra para um trabalho lá no Mosh. Nesse momento, aos meus 16 anos, eu entendi o que era um estúdio de gravação e como aquilo era incrível. Depois disso, o primeiro estúdio grande e que tinha volume de trabalho que eu estive foi o RW Studios, do Rodrigo Pimentel. Ele foi um dos meus primeiros mestres de verdade, me mostrando todo o processo de gravação e me fazendo entender o áudio. Ali minha consciência de áudio e música se expandiu, porque ele trabalhava basicamente gravando as Escolas de Samba que conhecemos, e eu aprendi desde afinar os três surdos para soarem harmoniosos entre si (e dentro do tom de cada música) até entender como que todos aqueles instrumentos, na grande maioria na faixa média e aguda do espectro, podiam soar separados e audíveis entre vários outros. Como técnico de gravação e editor de vozes, ganhei ali dois Discos de Ouro com nossos trabalhos.

Caio Norcia 3

ON STAGE LAB: O que significou seu primeiro contato com softwares de gravação? O conhecimento que você foi adquirindo para dominá-los veio de onde?
CAIO NORCIA: Meu primeiro contato com softwares de gravação veio com o Fabiano Rodrigues, na época guitarrista do Kroma, quarteto de guitarras que tem com um dos fundadores o Heraldo Paarmann. Eu morei com o Fabiano por um tempo e tínhamos um projeto para uma banda de metal melódico. Nessa época ele estava transcrevendo o songbook do Angra, o Rebirth, então não era incomum o Kiko vir em casa. Estavam para lançar as vídeo aulas dele também, então acabei conhecendo o Sidney Carvalho, produtor e diretor das vídeo aulas do Kiko na época. O Fabiano era o cara que entendia das gravações em computador e, ter que esperar ele estar em casa ou estar disponível para eu gravar minhas idéias era algo que me incomodava, então um dia pedi permissão para ficar uma tarde toda mexendo no programa, e aprendi o básico (na época não haviam vídeo aulas ou YouTube mostrando como se usar qualquer coisa), e com ele aprendi o que faziam os plugins e como gravar num software multipista. Daí pra frente foi na cara e na coragem, testando, criando, editando, aprendendo e sempre refazendo esse ciclo. Foi a época que mais compus. Entendi que aquele era um universo que não tinha limites.

ON STAGE LAB: Como surgiu u para a sua carreira estagiar com Paulo Anhaia, no renomado Estúdio Midas?
CAIO NORCIA: A história do Paulo foi uma daquelas coisas que tinha que acontecer, de hora certa no lugar certo. Eu estava uma noite em casa gravando uma base e meu baixo estava com um ruído muito chato por falta de aterramento. Eu já estava desistindo de gravar quando resolvi ir para a internet buscar o que fazer e, sem a menor pretensão de ter uma resposta, vi o Paulo Anhaia, engenheiro renomado, ali online e resolvi arriscar, dizendo a ele meu problema e se ele tinha alguma dica para resolver isso. A dica dele eu nunca vou esquecer: “Cara, isso é complicado mesmo, mas faz o seguinte, passa aqui em casa e pega o meu baixo!” Eu achei que era brincadeira, mas não era. Esse é o jeito do Paulo, um cara humilde, de coração enorme que está sempre disposto a ajudar. Para a minha surpresa, quando ele me passa o endereço da casa dele, descubro que moramos a dois quarteirões um do outro, e para minha surpresa ainda maior, eu estava morando na rua ao lado da rua do Midas e não sabia! Naquela noite peguei o baixo dele e começamos uma amizade. Ele me ajudou demais, veio em casa, “consertou” uma mix que eu tinha feito, onde ele basicamente tirou os 600 plugins que eu havia colocado e colocou um eq e um compressor por canal e soou incrível! Ali naquele momento senti a separação de engenheiro de quarto pra um Engenheiro de verdade! Com muita paciência, ele me mostrou o que é uma edição, e como usar os recursos do Pro Tools. Durante vários meses eu editei todos os trabalhos dele, fazendo afinação das vozes e editando bateria. Um desses trabalhos aconteceu no Midas, onde conheci a equipe toda e o Rick Bonadio. Depois de uma entrevista com os gerentes, eu em breve estava começando a trabalhar lá. Foi uma escola absurda em termos de áudio, com salas projetadas e equipamentos que eu só encontrava em vídeos internacionais, mas principalmente foi uma escola em termos artísticos. Eu estava ali entendendo como eram criadas as músicas que eu ouviria na rádio nos meses seguintes, como eram planejados os shows, as gravações de DVD, os clipes, as sessões de foto, enfim, toda a mentalidade por trás dos sucessos que estavam acontecendo. Trabalhar com o Rick foi uma escola que não tem preço para entender como o mercado funciona e como funcionaram os seus sucessos.

ON STAGE LAB: Você tem um canal no youtube com super dicas sobre o mercado musical. De onde partiu a ideia?
CAIO NORCIA: Foi uma coisa que aconteceu naturalmente depois de trabalhar com várias bandas e artistas. Eu sempre ficava dando toques ou dicas dentro do trabalho deles. Principalmente eu produzia as músicas já imaginando como elas seriam tocadas no show e como o artista poderia aproveitar isso para entreter o público. Isso era natural para mim e sempre foi. Eu cresci em volta disso e sabia por instinto o que funcionava e o que não conectava. Chegou um momento que eu pensei que não adiantava reclamar para mim mesmo que os artistas gravavam muito bem em estúdio mas depois ao vivo, “apagavam”. Eu podia colocar toda essa bagagem para fora e ajudar as bandas a ter um show melhor! Então meu canal, que num primeiro momento tinha dicas de áudio, começou a ser voltado para o Artista.

ON STAGE LAB: Conte um pouco sobre o seu trabalho de direção artística. O que faz um diretor artístico?
CAIO NORCIA: Eu faço um trabalho que na verdade abrange mais do que isso, a Direção Artística em si. O meu trabalho com o artista é completo. É imersivo, instigador. Eu preciso tirar dele uma atitude que ele muitas vezes tem mas que não coloca para fora, fazendo só o “necessário” para estar onde está. Comigo isso não funciona. Então eu chego olhando o todo, olhando o que ele está vendendo como artista e como personalidade, porque o artista hoje tem que existir além de sua música. Ele precisa ser alguém com uma voz, uma atitude e um posicionamento perante a sociedade e seus fãs. Isso se reflete no palco, nas redes socias, na roupa dele, no jeito de falar. E isso tem que ser um relacionamento constante. Ele tem que estar presente e determinado, para que as pessoas notem e se identifiquem. No palco, eu trabalho a atitude geral, que começa no repertório, montando a melhor sequência para que o show tenha uma dinâmica envolvente. Essa dinâmica vem junto com todos os textos, que são montados para captar a atenção e emoção do público. Fundamental também é a interação e linguagem não verbal entre o artista e o público, desde a colocação do pedestal na posição que mais o favorece, até as poses escolhidas para passar a mensagem com a firmeza que se quer passar. Esse é um trabalho que se assemelha à produção de uma música. Eu não posso chegar e colocar o meu ponto de vista e mudar ou criar tudo. Eu tenho que entender a forma de cada um pensar e agir para colocar para fora o melhor “eu” de cada um. Para isso eu dou as ferramentas, mas o público vai sempre ver o artista e sua individualidade. O show tem que ser um espetáculo, como um filme, com várias emoções diferentes, e o artista é um ator, buscando mostrar ao seu público como ele está se sentindo, ou como gostaria de estar se sentindo naquele momento. Isso é algo que trabalho muito também, o estado de espírito do artista, que tem que estar presente no seu show independente do que aconteceu no seu dia ou naquele momento. Ele tem uma missão com seu público e ali estará seu foco. Fora dos palcos eu preparo o artista para entrevistas, para que ele responda com naturalidade e com objetividade tudo sobre si mesmo e sua carreira. As rádios e televisões precisam de respostas claras, concisas e que você possa passar sua verdade. Quanto mais tempo ele passar agradecendo seus apoiadores e patrocinadores, menos vai falar do seu trabalho. Tem hora e lugar para tudo, e o artista normalmente não tem esse feeling sobre isso. O preparar para entrevistas já ajuda demais no ambiente digital, nas mídias sociais, onde ele vai estar lidando com os fãs o tempo todo. Uns mais calorosos, outros mais descontentes, mas que vão estar ávidos esperando uma resposta do seu ídolo. Quando não há uma empresa de Marketing Digital envolvida, eu gosto de orientar sobre as publicações, do que falar e do que não falar para manter a imagem que o artista quer passar. Quer falar mal de um time de futebol? Ok, mas muita gente que gosta de você pode não gostar mais. Isso te interessa? Falo também da periodicidade das publicações e da diferença das publicações para plataformas diferentes. O que se espera ver no Facebook, no Instagram, nos Stories, etc. Quando não há uma visagista, também procuro orientar sobre harmonia dos looks para o show. Todo esse trabalho é a ponta do Iceberg, pois só no dia a dia vou vendo as outras necessidades de cada artista para que eu possa trabalhar com ele.

ON STAGE LAB: Além das atividades já citadas, você empresaria bandas. Conte-nos sobre esse seu trabalho.
CAIO NORCIA: Isso é algo que me deixa muito contente e algo muito recente. Fui convidado no final de 2017 pela M-Music.BR, uma produtora nova mas já com pessoas bem experientes, para cuidar da seleção do cast deles pra 2018. Como estou nessa busca incessante por novos artistas e por trabalhar com eles, eu logo de cara aceitei! Tivemos uma primeira reunião que foi ótima, e logo me foi oferecida a sociedade na empresa. Então a partir desse momento, entrei para o time e estou oficialmente empresariando os artistas que eu encontrar. E já encontrei gente muito boa!

ON STAGE LAB: Na sua opinião, quais as atuais tendências do mercado musical no Brasil?
CAIO NORCIA: Eu cresci no rock e gostaria muito de colocar ele aqui em algum momento entre as tendências, mas não tenho como. O rock deixou de ter atitude, de conectar com o jovem e essa atitude hoje vemos no Sertanejo e no Funk. A mensagem deles conecta ao público de uma forma que os agrada, então não vejo como esses dois estilos saírem das paradas musicais em 2018. Pode diminuir? Sim, principalmente os estilos mais “puros” por assim dizer. O que eu vejo acontecer é a migração de todos os estilos para um cenário pop, onde você tem cada vez mais arranjos parecidos, misturando muita coisa eletrônica, onde você define o segmento baseado em quem está cantando, não mais no arranjo. Os “featurings” do Sertanejo já saturaram, eles já abusaram de todos os estilos, então é uma certeza que veremos novidades nesse sentido. O funk está trazendo novas vertentes, com arranjos melhorados para poder também embarcar mais no pop. A mensagem ainda é complicada de se aceitar, mas como eu disse, é uma atitude que chama a atenção e conecta a quem gosta. Eu aposto muito no eletrônico em 2018, seja ele entrando de cabeça em todos os outros estilos ou mesmo sozinho, com novos artistas aparecendo em função da facilidade de se produzir. Hoje em dia até no celular você consegue produzir uma música. Quem tem talento pode aparecer. Acredito muito no Rap também. É outro estilo que tem atitude e se souber falar aos jovens, pode se beneficiar do pop e chegar forte no mercado.

ON STAGE LAB: Como avalia o surgimento das mídias digitais para o mercado musical? Para onde está caminhando?
CAIO NORCIA: É de fundamental importância. Não dá para pensar em música hoje sem pensar nas mídias digitais. E a cada ano novas portas se abrem nesse sentido. Agora temos os novos YouTube Red e Spotlight por exemplo. Como essas mídias estarão integradas ao artista daqui a um ano? O foco da música é o ouvinte, é o fã, e para isso a música tem que estar onde ele está, que é no digital. Se você for planejar uma carreira do zero, você primeiro testa seu produto no digital, procura no digital onde está seu público, através do digital foca em material para aquele público até que você tenha uma quantidade suficiente de seguidores e fãs para poder sair do “online” e ir para o “offline”, que é o show propriamente dito. O modelo de fazer tudo às cegas, gravando, soltando e marcando shows para formar público já não funciona. Eu acredito que estamos caminhando cada vez mais para o artista se aproveitar do digital para estar próximo do seu público e, com isso construir uma relação muito mais a fundo do que ele constrói quando aparece numa TV, rádio ou show, e isso vai criar cada vez mais “superfãs” que vão querer consumir ainda mais o que o artista faz e produz. Por isso o posicionamento definido do artista é tão importante e por isso temos essa onda de YouTubers celebridades, por causa da proximidade e conexão que eles criam. Em termos de shows, o artista que está começando a ter resultados, por exemplo, em 2018 deve focar em shows menores, com ótimo feedback e ir crescendo aos poucos, testando seu trabalho e seu público. Não dê um passo maior que a perna, você não vai se consolidar despejando dinheiro em rádios e fechando um show num estádio. Temos todas as ferramentas hoje para entender e analisar os dados de público. A grande vantagem do digital é essa e temos que trabalhar focados nisso.

Caio Norcia 2

ON STAGE LAB: Qual a parte boa e a parte ruim sobre o declínio das gravadoras e o crescimento da autoadministração dos músicos nos dias de hoje?
CAIO NORCIA: A parte boa de uma gravadora (que ainda se mantém) é o network principalmente. Nem todas hoje fazem uma boa distribuição, com certeza elas não gravam mais seus artistas em seus estúdios, o que tira basicamente seu título de “gravadora” para mais uma administradora de carreira. Mesmo assim, ainda abocanham muito da arrecadação do artista na sua obra, o que a meu ver,  não faz mais sentido se ela não o gravou. Pelo menos não na porcentagem atual. Seu departamento artístico também é algo a se valorizar, apesar de que vejo que nem sempre existe uma inteligência de mercado atrás das decisões. As decisões das gravadoras, bem como seus números, sempre foram algo meio obscuro para o artista, e isso é um dos principais benefícios do artista se auto gerir. Tomar conta da sua carreira é algo totalmente necessário, o artista tem que ser um business man, conhecer todos os processos, mas isso não quer dizer que ele tenha que fazer tudo. No começo, distribua as funções de mídia social, repertório, organização de ensaios e etc entre sua banda. O controle é total do artista, mas ele ainda não tem o network para crescer o suficiente, então é trabalhar o seu público, começar a crescer, ganhar experiência e continuar no controle, mas dessa vez contratando profissionais que possam levá-lo ao próximo estágio.

ON STAGE LAB: Antigamente muitas bandas eram capazes de lotar um estádio, diferentemente de hoje em dia. Quais seriam as causas disso?
CAIO NORCIA: Vejo isso muito forte no rock nacional. As bandas internacionais ainda tem muita força, porque elas têm um status diferente, um sentido de urgência, de escassez que faz com que os fãs comprem ingressos muito caros por não saber quando e se vão poder ver aquele artista de novo. No rock nacional essa escassez não existe, pelo menos não com a mesma força. Isso aliado ao fato das músicas não conectarem da mesma forma, faz com que para se encher uma casa de 1500 pessoas, normalmente tenha-se que juntar três bandas ou dois artistas de mais nome. E isso não é de hoje. Mas um só artista nacional lotar um estádio, eu só imagino se for alguma coisa que tenha explodido recente na mídia e que esteja causando uma grande curiosidade no público. Não imagino isso para um artista consolidado.

ON STAGE LAB: O crescimento de festivais no mundo seria uma consequência dessa carência de nomes capazes de lotar estádios?
CAIO NORCIA: Nós vemos que os festivais ainda funcionam porque unem públicos de várias tribos e nichos diferentes. Isso é bom para o contratante e para os artistas. O contratante consegue ótimos acordos, ingressos com valores muito bons e vários benefícios fiscais que de outra forma ele teria dificuldade. É muito mais trabalho mas muito mais retorno. Para o artista, ele tem uma exposição e um registro que o valorizam, mesmo isso não garantindo que ele vai ser contratado para um palco daquele sozinho, ele aos olhos do fã continua sendo “grande” e a magia fã-artista continua.

ON STAGE LAB: Aliás, você anda contribuindo com alguns projetos de festivais. Conte mais sobre esses festivais e o seu trabalho neles.
CAIO NORCIA: Sim, eu fui contratado pela Millenium Entertainment através da NRS Solutions do Luciano Nassyn para cuidarmos da curadoria do Festival Millenium e de outros Festivais que eles estão organizando. Serão Festivais que trarão atrações de peso internacional e nacional de 2018 a 2020. O meu trabalho com eles é escolher quais as bandas que farão parte da grade do evento e montar todo o cronograma de horários entre as arenas para todos os dias de Festival, bem como auxiliar os Diretores de Palco. Além disso, em cada Festival haverão 15 bandas e/ou artistas iniciantes, mas com potencial artístico grande, que eu e o Luciano estamos escolhendo para participar desses festivais, como forma de impulsionar suas carreiras. Além da visibilidade, eles estarão tocando nos mesmos palcos que as grandes atrações. Estou negociando uma parceria grande para essas bandas e artistas independentes, e se tudo der certo, um desses artistas vai sair de lá com uma estrutura que ele nem imagina para a sua carreira. Vai que o cenário muda e encontramos uma baita banda de rock? Estou de dedos cruzados!

com Luciano Nassyn

com Luciano Nassyn

ON STAGE LAB: Para onde caminha a música?
CAIO NORCIA: Eu sou otimista. Vejo que os artistas estão cada vez mais se educando e entendendo a necessidade de fazer música para o outro e não para si mesmo. Estão aos poucos entendendo a música como uma profissão séria e que precisa dar resultados. Não é hobby, não é só arte, é conexão e resultados. Vai estar em evidência quem souber dizer o que o público quer ouvir e esse público não é tão segmentando quanto se pensa. Isso é essencial de se entender. A mesma menina que no final de semana quer rebolar até o chão com um funk, é a que pode estar chorando um amor não correspondido numa terça à noite ao som de Tiago Iorc. A música vai caminhar para quem conseguir essa conexão, seja no estilo que for.

ON STAGE LAB: “Nada se cria, tudo se copia” ? Se sim, desde quando?
CAIO NORCIA: Não tenho dúvida que sim! Essa frase veio “adaptada” do Lavoisier pelo Chacrinha falando sobre a TV brasileira e ele estava certo! Steve Jobs, Bill Gates, todos copiam. Na música quase todos copiam. E não falo de plágio, o que acontece bastante, mas da cópia como inspiração, como direção. No começo de carreira todos temos inspiração, o músico quer tocar como o Steve Vai, daí ele tenta copiar o ídolo, não consegue e cria algo dele no processo. Ainda falando de guitarristas de sucesso, quando eles resolveram “copiar” arranjos para violinos e metais por exemplo, veja o quanto a música deles cresceu! É a coisa do “quem copia e é pego, é ladrão. Quem copia e ninguém percebe é gênio”. Dentro do Show Business você teve o American Idol que foi um sucesso. Daí não demorou para aparecerem vários programas copiando a fórmula. Tivemos Charlie Brown Jr e CPM22 e seus sucessos trouxeram uma tonelada de bandas soando exatamente iguais a eles. O exato não funciona, ninguém quer ouvir a cópia e ela sempre vai estar abaixo da original. Copie algo inusitado dentro de algo novo e veja o que acontece!

ON STAGE LAB: E para finalizar, quais os conselhos de Caio Norcia para quem quiser seguir nessas carreiras musicais?
CAIO NORCIA: Para qualquer carreira hoje, seja a de Engenheiro de Som, de Road Manager, Produtor Musical ou Produtor Artístico, você precisa estar antenado com seu público, que são seus futuros clientes. Então começar a se divulgar, aparecer, seja notado, faça muito network e exponha seu trabalho de alguma forma. O importante é não esperar estar preparado. Isso não existe. Você se ajusta à medida que vai fazendo e aprendendo com o processo. Comece com o que tem e faça o que você pode. Tenha certeza que tem alguém aí fora esperando o que você tem para dizer. E estude muito! Sempre!
Abraços a todos e muito obrigado!

Caio Norcia

 

Por Deca Pertrini

Caio Norcia começou a vida no meio artístico bem cedo, aos sete anos de idade. Como a grande maioria desse meio, passou por várias etapas durante a sua carreira, acumulando vasta experiência no assunto de Direção Artística e Empresariamento.

Profissional qualificado em:

– Live Stage Producer: Mentor de artistas e bandas em shows ao vivo, tratando de postura de palco, voz, cenário, luzes, etc.

– Todos os processos que envolvem a produção musical, dentre eles:

– Acompanhamento de pré-produção;
– Re-harmonização;
– Direcionamento instrumental e vocal;
– Re-arranjos
– Gravação multi-pista via DAW
– Edição digital de vozes e instrumentos;
– Criação digital de vozes e acompanhamentos;
– Mixagem;
– Masterização.

– Hardware e montagem de CPU;

– Plataformas Mac e Windows;

– Gravação e Edição de Vídeos

Caio possui o seu canal no youtube, com super dicas, principalmente para produtores e músicos.

ON STAGE LAB: Qual foi o seu primeiro contato com o meio artístico?
CAIO NORCIA: Olá a todos! Bom, vamos lá! Meu primeiro contato com o mundo artístico foi aos sete anos de idade, quando minha mãe, decoradora na época, conheceu o pai do Luciano do Trem da Alegria, grupo infantil que estava estourado em todo o Brasil. Conheci o Luciano e logo viramos melhores amigos, eu o acompanhava a shows e programas de TV. Nesse momento entrei num grupo infantil e comecei a ter um pouco do gostinho do mundo artístico também.

ON STAGE LAB: Qual foi o seu primeiro contato com o meio artístico?
CAIO NORCIA: Olá a todos! Bom, vamos lá! Meu primeiro contato com o mundo artístico foi aos sete anos de idade, quando minha mãe, decoradora na época, conheceu o pai do Luciano do Trem da Alegria, grupo infantil que estava estourado em todo o Brasil. Conheci o Luciano e logo viramos melhores amigos, eu o acompanhava a shows e programas de TV. Nesse momento entrei num grupo infantil e comecei a ter um pouco do gostinho do mundo artístico também.

ON STAGE LAB: Qual foi o seu primeiro contato com o meio artístico?
CAIO NORCIA: Olá a todos! Bom, vamos lá! Meu primeiro contato com o mundo artístico foi aos sete anos de idade, quando minha mãe, decoradora na época, conheceu o pai do Luciano do Trem da Alegria, grupo infantil que estava estourado em todo o Brasil. Conheci o Luciano e logo viramos melhores amigos, eu o acompanhava a shows e programas de TV. Nesse momento entrei num grupo infantil e comecei a ter um pouco do gostinho do mundo artístico também.

ON STAGE LAB: Qual foi o seu primeiro contato com o meio artístico?
CAIO NORCIA: Olá a todos! Bom, vamos lá! Meu primeiro contato com o mundo artístico foi aos sete anos de idade, quando minha mãe, decoradora na época, conheceu o pai do Luciano do Trem da Alegria, grupo infantil que estava estourado em todo o Brasil. Conheci o Luciano e logo viramos melhores amigos, eu o acompanhava a shows e programas de TV. Nesse momento entrei num grupo infantil e comecei a ter um pouco do gostinho do mundo artístico também.

ON STAGE LAB: Como foi a sua experiência como músico?
CAIO NORCIA: Essa foi uma experiência que começou no violão, lá pelos meus doze anos. Eu logo fiquei entediado, porque eu queria tocar guitarra e ainda não tinha entendido isso, rs. Mas logo conheci o Gun’s N Roses e o Iron Maiden, e a vontade de tocar não saiu mais de mim. Tive muitas bandas no colegial, mas tocar profissionalmente veio anos depois, novamente com o Luciano, quando montamos um projeto que começou simples, eu e ele tocando violões, até o projeto ir tomando forma e excursionarmos com banda por várias cidades do Brasil, fazendo shows para milhares de pessoas, como os shows que fizemos no Circo Voador no Rio.

ON STAGE LAB: Quais foram as etapas seguintes?
CAIO NORCIA: Depois de pegar muita experiência com os shows e produção, eu descobri que havia mais uma parte nesse cenário da música que eu também gostava demais… o estúdio de gravação! Então o processo seguinte foi estudar muito, dar muita cabeçada aprendendo tudo o que eu podia sobre áudio, edição, mixagem e masterização. Eu não sabia como eu sairia do meu quarto um dia, mas como diz o ditado, quando o discípulo está pronto o Mestre aparece. Falaremos disso mais pra frente, rs.

ON STAGE LAB: Como foi a oportunidade de ingressar na carreira de road manager? O que aprendeu nessa profissão?
CAIO NORCIA: Taí outra coisa que gosto muito! A primeira oportunidade veio lá pelos meus vinte e poucos anos, quando minha mãe, nesse momento empresária da Dupla Rosa e Rosinha, precisou de alguém pra ir pra estrada e resolver tudo o que fosse necessário. Na época eu estava fazendo um estágio num Banco para poder terminar a faculdade, e não estava tocando, então foi uma ótima oportunidade de ficar perto do cenário artístico de novo. Como Road Manager eu aprendi que preparação e controle são essenciais para fazer um show acontecer. Você tem que saber e entender tudo o que está acontecendo no palco e fora dele, para resolver rapidamente o que pode resolver e, o que não pode, saber quem é a pessoa que pode e onde ela está. A agilidade em tomar decisões é fundamental.

ON STAGE LAB: Quais as funções de um road manager?
CAIO NORCIA: Eu percebi ao longo dos anos que isso não é algo bem definido entre os profissionais e, para falar a verdade eu nunca soube ao certo. Eu só sabia que tudo tinha que acontecer e que eu era o responsável por isso. Nunca tive um mentor, eu aprendi na raça. Para mim, meu trabalho começa no momento que o vendedor de shows me passa a informação de que o show foi vendido e o telefone do contratante. Nesse momento eu entro em contato e começo a coletar todos os telefones dos responsáveis por som, luz, camarim, hotel, rádios e o que mais for necessário para começar a organizar a agenda. A partir disso eu monto um book, onde coloco as informações de translado, hotel e seus devidos quartos já separados, horários de passagem de som, de show, de entrevistas, itinerários, opções de restaurantes da região, telefones de contato da equipe e dos responsáveis. Com isso ninguém “se perde” do resto da equipe e conseguimos deixar tudo organizado. Isso é uma parte, a outra acontece no local do evento, onde eu cuido e checo o camarim, as entradas e saídas do artista, a montagem do palco, a chegada e saída da equipe e resolver todos os possíveis problemas que acontecerem, conhecendo todos os profissionais que trabalham no evento.

ON STAGE LAB: Conte-nos sobre a sua experiência em estúdios de gravação. Com quem trabalhou?
CAIO NORCIA: Minha experiência com estúdios começou com gravação de coros nos discos do Atchim e Espirro quando eu estava conhecendo o mundo artístico. Ali conheci o Caio Flávio, lenda na indústria por seus trabalhos com vários artistas de ponta. Anos depois eu viria a gravar guitarra para um trabalho lá no Mosh. Nesse momento, aos meus 16 anos, eu entendi o que era um estúdio de gravação e como aquilo era incrível. Depois disso, o primeiro estúdio grande e que tinha volume de trabalho que eu estive foi o RW Studios, do Rodrigo Pimentel. Ele foi um dos meus primeiros mestres de verdade, me mostrando todo o processo de gravação e me fazendo entender o áudio. Ali minha consciência de áudio e música se expandiu, porque ele trabalhava basicamente gravando as Escolas de Samba que conhecemos, e eu aprendi desde afinar os três surdos para soarem harmoniosos entre si (e dentro do tom de cada música) até entender como que todos aqueles instrumentos, na grande maioria na faixa média e aguda do espectro, podiam soar separados e audíveis entre vários outros. Como técnico de gravação e editor de vozes, ganhei ali dois Discos de Ouro com nossos trabalhos.

Caio Norcia 3

ON STAGE LAB: O que significou seu primeiro contato com softwares de gravação? O conhecimento que você foi adquirindo para dominá-los veio de onde?
CAIO NORCIA: Meu primeiro contato com softwares de gravação veio com o Fabiano Rodrigues, na época guitarrista do Kroma, quarteto de guitarras que tem com um dos fundadores o Heraldo Paarmann. Eu morei com o Fabiano por um tempo e tínhamos um projeto para uma banda de metal melódico. Nessa época ele estava transcrevendo o songbook do Angra, o Rebirth, então não era incomum o Kiko vir em casa. Estavam para lançar as vídeo aulas dele também, então acabei conhecendo o Sidney Carvalho, produtor e diretor das vídeo aulas do Kiko na época. O Fabiano era o cara que entendia das gravações em computador e, ter que esperar ele estar em casa ou estar disponível para eu gravar minhas idéias era algo que me incomodava, então um dia pedi permissão para ficar uma tarde toda mexendo no programa, e aprendi o básico (na época não haviam vídeo aulas ou YouTube mostrando como se usar qualquer coisa), e com ele aprendi o que faziam os plugins e como gravar num software multipista. Daí pra frente foi na cara e na coragem, testando, criando, editando, aprendendo e sempre refazendo esse ciclo. Foi a época que mais compus. Entendi que aquele era um universo que não tinha limites.

ON STAGE LAB: Como surgiu u para a sua carreira estagiar com Paulo Anhaia, no renomado Estúdio Midas?
CAIO NORCIA: A história do Paulo foi uma daquelas coisas que tinha que acontecer, de hora certa no lugar certo. Eu estava uma noite em casa gravando uma base e meu baixo estava com um ruído muito chato por falta de aterramento. Eu já estava desistindo de gravar quando resolvi ir para a internet buscar o que fazer e, sem a menor pretensão de ter uma resposta, vi o Paulo Anhaia, engenheiro renomado, ali online e resolvi arriscar, dizendo a ele meu problema e se ele tinha alguma dica para resolver isso. A dica dele eu nunca vou esquecer: “Cara, isso é complicado mesmo, mas faz o seguinte, passa aqui em casa e pega o meu baixo!” Eu achei que era brincadeira, mas não era. Esse é o jeito do Paulo, um cara humilde, de coração enorme que está sempre disposto a ajudar. Para a minha surpresa, quando ele me passa o endereço da casa dele, descubro que moramos a dois quarteirões um do outro, e para minha surpresa ainda maior, eu estava morando na rua ao lado da rua do Midas e não sabia! Naquela noite peguei o baixo dele e começamos uma amizade. Ele me ajudou demais, veio em casa, “consertou” uma mix que eu tinha feito, onde ele basicamente tirou os 600 plugins que eu havia colocado e colocou um eq e um compressor por canal e soou incrível! Ali naquele momento senti a separação de engenheiro de quarto pra um Engenheiro de verdade! Com muita paciência, ele me mostrou o que é uma edição, e como usar os recursos do Pro Tools. Durante vários meses eu editei todos os trabalhos dele, fazendo afinação das vozes e editando bateria. Um desses trabalhos aconteceu no Midas, onde conheci a equipe toda e o Rick Bonadio. Depois de uma entrevista com os gerentes, eu em breve estava começando a trabalhar lá. Foi uma escola absurda em termos de áudio, com salas projetadas e equipamentos que eu só encontrava em vídeos internacionais, mas principalmente foi uma escola em termos artísticos. Eu estava ali entendendo como eram criadas as músicas que eu ouviria na rádio nos meses seguintes, como eram planejados os shows, as gravações de DVD, os clipes, as sessões de foto, enfim, toda a mentalidade por trás dos sucessos que estavam acontecendo. Trabalhar com o Rick foi uma escola que não tem preço para entender como o mercado funciona e como funcionaram os seus sucessos.

ON STAGE LAB: Você tem um canal no youtube com super dicas sobre o mercado musical. De onde partiu a ideia?
CAIO NORCIA: Foi uma coisa que aconteceu naturalmente depois de trabalhar com várias bandas e artistas. Eu sempre ficava dando toques ou dicas dentro do trabalho deles. Principalmente eu produzia as músicas já imaginando como elas seriam tocadas no show e como o artista poderia aproveitar isso para entreter o público. Isso era natural para mim e sempre foi. Eu cresci em volta disso e sabia por instinto o que funcionava e o que não conectava. Chegou um momento que eu pensei que não adiantava reclamar para mim mesmo que os artistas gravavam muito bem em estúdio mas depois ao vivo, “apagavam”. Eu podia colocar toda essa bagagem para fora e ajudar as bandas a ter um show melhor! Então meu canal, que num primeiro momento tinha dicas de áudio, começou a ser voltado para o Artista.

ON STAGE LAB: Conte um pouco sobre o seu trabalho de direção artística. O que faz um diretor artístico?
CAIO NORCIA: Eu faço um trabalho que na verdade abrange mais do que isso, a Direção Artística em si. O meu trabalho com o artista é completo. É imersivo, instigador. Eu preciso tirar dele uma atitude que ele muitas vezes tem mas que não coloca para fora, fazendo só o “necessário” para estar onde está. Comigo isso não funciona. Então eu chego olhando o todo, olhando o que ele está vendendo como artista e como personalidade, porque o artista hoje tem que existir além de sua música. Ele precisa ser alguém com uma voz, uma atitude e um posicionamento perante a sociedade e seus fãs. Isso se reflete no palco, nas redes socias, na roupa dele, no jeito de falar. E isso tem que ser um relacionamento constante. Ele tem que estar presente e determinado, para que as pessoas notem e se identifiquem. No palco, eu trabalho a atitude geral, que começa no repertório, montando a melhor sequência para que o show tenha uma dinâmica envolvente. Essa dinâmica vem junto com todos os textos, que são montados para captar a atenção e emoção do público. Fundamental também é a interação e linguagem não verbal entre o artista e o público, desde a colocação do pedestal na posição que mais o favorece, até as poses escolhidas para passar a mensagem com a firmeza que se quer passar. Esse é um trabalho que se assemelha à produção de uma música. Eu não posso chegar e colocar o meu ponto de vista e mudar ou criar tudo. Eu tenho que entender a forma de cada um pensar e agir para colocar para fora o melhor “eu” de cada um. Para isso eu dou as ferramentas, mas o público vai sempre ver o artista e sua individualidade. O show tem que ser um espetáculo, como um filme, com várias emoções diferentes, e o artista é um ator, buscando mostrar ao seu público como ele está se sentindo, ou como gostaria de estar se sentindo naquele momento. Isso é algo que trabalho muito também, o estado de espírito do artista, que tem que estar presente no seu show independente do que aconteceu no seu dia ou naquele momento. Ele tem uma missão com seu público e ali estará seu foco. Fora dos palcos eu preparo o artista para entrevistas, para que ele responda com naturalidade e com objetividade tudo sobre si mesmo e sua carreira. As rádios e televisões precisam de respostas claras, concisas e que você possa passar sua verdade. Quanto mais tempo ele passar agradecendo seus apoiadores e patrocinadores, menos vai falar do seu trabalho. Tem hora e lugar para tudo, e o artista normalmente não tem esse feeling sobre isso. O preparar para entrevistas já ajuda demais no ambiente digital, nas mídias sociais, onde ele vai estar lidando com os fãs o tempo todo. Uns mais calorosos, outros mais descontentes, mas que vão estar ávidos esperando uma resposta do seu ídolo. Quando não há uma empresa de Marketing Digital envolvida, eu gosto de orientar sobre as publicações, do que falar e do que não falar para manter a imagem que o artista quer passar. Quer falar mal de um time de futebol? Ok, mas muita gente que gosta de você pode não gostar mais. Isso te interessa? Falo também da periodicidade das publicações e da diferença das publicações para plataformas diferentes. O que se espera ver no Facebook, no Instagram, nos Stories, etc. Quando não há uma visagista, também procuro orientar sobre harmonia dos looks para o show. Todo esse trabalho é a ponta do Iceberg, pois só no dia a dia vou vendo as outras necessidades de cada artista para que eu possa trabalhar com ele.

ON STAGE LAB: Além das atividades já citadas, você empresaria bandas. Conte-nos sobre esse seu trabalho.
CAIO NORCIA: Isso é algo que me deixa muito contente e algo muito recente. Fui convidado no final de 2017 pela M-Music.BR, uma produtora nova mas já com pessoas bem experientes, para cuidar da seleção do cast deles pra 2018. Como estou nessa busca incessante por novos artistas e por trabalhar com eles, eu logo de cara aceitei! Tivemos uma primeira reunião que foi ótima, e logo me foi oferecida a sociedade na empresa. Então a partir desse momento, entrei para o time e estou oficialmente empresariando os artistas que eu encontrar. E já encontrei gente muito boa!

ON STAGE LAB: Na sua opinião, quais as atuais tendências do mercado musical no Brasil?
CAIO NORCIA: Eu cresci no rock e gostaria muito de colocar ele aqui em algum momento entre as tendências, mas não tenho como. O rock deixou de ter atitude, de conectar com o jovem e essa atitude hoje vemos no Sertanejo e no Funk. A mensagem deles conecta ao público de uma forma que os agrada, então não vejo como esses dois estilos saírem das paradas musicais em 2018. Pode diminuir? Sim, principalmente os estilos mais “puros” por assim dizer. O que eu vejo acontecer é a migração de todos os estilos para um cenário pop, onde você tem cada vez mais arranjos parecidos, misturando muita coisa eletrônica, onde você define o segmento baseado em quem está cantando, não mais no arranjo. Os “featurings” do Sertanejo já saturaram, eles já abusaram de todos os estilos, então é uma certeza que veremos novidades nesse sentido. O funk está trazendo novas vertentes, com arranjos melhorados para poder também embarcar mais no pop. A mensagem ainda é complicada de se aceitar, mas como eu disse, é uma atitude que chama a atenção e conecta a quem gosta. Eu aposto muito no eletrônico em 2018, seja ele entrando de cabeça em todos os outros estilos ou mesmo sozinho, com novos artistas aparecendo em função da facilidade de se produzir. Hoje em dia até no celular você consegue produzir uma música. Quem tem talento pode aparecer. Acredito muito no Rap também. É outro estilo que tem atitude e se souber falar aos jovens, pode se beneficiar do pop e chegar forte no mercado.

ON STAGE LAB: Como avalia o surgimento das mídias digitais para o mercado musical? Para onde está caminhando?
CAIO NORCIA: É de fundamental importância. Não dá para pensar em música hoje sem pensar nas mídias digitais. E a cada ano novas portas se abrem nesse sentido. Agora temos os novos YouTube Red e Spotlight por exemplo. Como essas mídias estarão integradas ao artista daqui a um ano? O foco da música é o ouvinte, é o fã, e para isso a música tem que estar onde ele está, que é no digital. Se você for planejar uma carreira do zero, você primeiro testa seu produto no digital, procura no digital onde está seu público, através do digital foca em material para aquele público até que você tenha uma quantidade suficiente de seguidores e fãs para poder sair do “online” e ir para o “offline”, que é o show propriamente dito. O modelo de fazer tudo às cegas, gravando, soltando e marcando shows para formar público já não funciona. Eu acredito que estamos caminhando cada vez mais para o artista se aproveitar do digital para estar próximo do seu público e, com isso construir uma relação muito mais a fundo do que ele constrói quando aparece numa TV, rádio ou show, e isso vai criar cada vez mais “superfãs” que vão querer consumir ainda mais o que o artista faz e produz. Por isso o posicionamento definido do artista é tão importante e por isso temos essa onda de YouTubers celebridades, por causa da proximidade e conexão que eles criam. Em termos de shows, o artista que está começando a ter resultados, por exemplo, em 2018 deve focar em shows menores, com ótimo feedback e ir crescendo aos poucos, testando seu trabalho e seu público. Não dê um passo maior que a perna, você não vai se consolidar despejando dinheiro em rádios e fechando um show num estádio. Temos todas as ferramentas hoje para entender e analisar os dados de público. A grande vantagem do digital é essa e temos que trabalhar focados nisso.

Caio Norcia 2

ON STAGE LAB: Qual a parte boa e a parte ruim sobre o declínio das gravadoras e o crescimento da autoadministração dos músicos nos dias de hoje?
CAIO NORCIA: A parte boa de uma gravadora (que ainda se mantém) é o network principalmente. Nem todas hoje fazem uma boa distribuição, com certeza elas não gravam mais seus artistas em seus estúdios, o que tira basicamente seu título de “gravadora” para mais uma administradora de carreira. Mesmo assim, ainda abocanham muito da arrecadação do artista na sua obra, o que a meu ver,  não faz mais sentido se ela não o gravou. Pelo menos não na porcentagem atual. Seu departamento artístico também é algo a se valorizar, apesar de que vejo que nem sempre existe uma inteligência de mercado atrás das decisões. As decisões das gravadoras, bem como seus números, sempre foram algo meio obscuro para o artista, e isso é um dos principais benefícios do artista se auto gerir. Tomar conta da sua carreira é algo totalmente necessário, o artista tem que ser um business man, conhecer todos os processos, mas isso não quer dizer que ele tenha que fazer tudo. No começo, distribua as funções de mídia social, repertório, organização de ensaios e etc entre sua banda. O controle é total do artista, mas ele ainda não tem o network para crescer o suficiente, então é trabalhar o seu público, começar a crescer, ganhar experiência e continuar no controle, mas dessa vez contratando profissionais que possam levá-lo ao próximo estágio.

ON STAGE LAB: Antigamente muitas bandas eram capazes de lotar um estádio, diferentemente de hoje em dia. Quais seriam as causas disso?
CAIO NORCIA: Vejo isso muito forte no rock nacional. As bandas internacionais ainda tem muita força, porque elas têm um status diferente, um sentido de urgência, de escassez que faz com que os fãs comprem ingressos muito caros por não saber quando e se vão poder ver aquele artista de novo. No rock nacional essa escassez não existe, pelo menos não com a mesma força. Isso aliado ao fato das músicas não conectarem da mesma forma, faz com que para se encher uma casa de 1500 pessoas, normalmente tenha-se que juntar três bandas ou dois artistas de mais nome. E isso não é de hoje. Mas um só artista nacional lotar um estádio, eu só imagino se for alguma coisa que tenha explodido recente na mídia e que esteja causando uma grande curiosidade no público. Não imagino isso para um artista consolidado.

ON STAGE LAB: O crescimento de festivais no mundo seria uma consequência dessa carência de nomes capazes de lotar estádios?
CAIO NORCIA: Nós vemos que os festivais ainda funcionam porque unem públicos de várias tribos e nichos diferentes. Isso é bom para o contratante e para os artistas. O contratante consegue ótimos acordos, ingressos com valores muito bons e vários benefícios fiscais que de outra forma ele teria dificuldade. É muito mais trabalho mas muito mais retorno. Para o artista, ele tem uma exposição e um registro que o valorizam, mesmo isso não garantindo que ele vai ser contratado para um palco daquele sozinho, ele aos olhos do fã continua sendo “grande” e a magia fã-artista continua.

ON STAGE LAB: Aliás, você anda contribuindo com alguns projetos de festivais. Conte mais sobre esses festivais e o seu trabalho neles.
CAIO NORCIA: Sim, eu fui contratado pela Millenium Entertainment através da NRS Solutions do Luciano Nassyn para cuidarmos da curadoria do Festival Millenium e de outros Festivais que eles estão organizando. Serão Festivais que trarão atrações de peso internacional e nacional de 2018 a 2020. O meu trabalho com eles é escolher quais as bandas que farão parte da grade do evento e montar todo o cronograma de horários entre as arenas para todos os dias de Festival, bem como auxiliar os Diretores de Palco. Além disso, em cada Festival haverão 15 bandas e/ou artistas iniciantes, mas com potencial artístico grande, que eu e o Luciano estamos escolhendo para participar desses festivais, como forma de impulsionar suas carreiras. Além da visibilidade, eles estarão tocando nos mesmos palcos que as grandes atrações. Estou negociando uma parceria grande para essas bandas e artistas independentes, e se tudo der certo, um desses artistas vai sair de lá com uma estrutura que ele nem imagina para a sua carreira. Vai que o cenário muda e encontramos uma baita banda de rock? Estou de dedos cruzados!

com Luciano Nassyn

com Luciano Nassyn

ON STAGE LAB: Para onde caminha a música?
CAIO NORCIA: Eu sou otimista. Vejo que os artistas estão cada vez mais se educando e entendendo a necessidade de fazer música para o outro e não para si mesmo. Estão aos poucos entendendo a música como uma profissão séria e que precisa dar resultados. Não é hobby, não é só arte, é conexão e resultados. Vai estar em evidência quem souber dizer o que o público quer ouvir e esse público não é tão segmentando quanto se pensa. Isso é essencial de se entender. A mesma menina que no final de semana quer rebolar até o chão com um funk, é a que pode estar chorando um amor não correspondido numa terça à noite ao som de Tiago Iorc. A música vai caminhar para quem conseguir essa conexão, seja no estilo que for.

ON STAGE LAB: “Nada se cria, tudo se copia” ? Se sim, desde quando?
CAIO NORCIA: Não tenho dúvida que sim! Essa frase veio “adaptada” do Lavoisier pelo Chacrinha falando sobre a TV brasileira e ele estava certo! Steve Jobs, Bill Gates, todos copiam. Na música quase todos copiam. E não falo de plágio, o que acontece bastante, mas da cópia como inspiração, como direção. No começo de carreira todos temos inspiração, o músico quer tocar como o Steve Vai, daí ele tenta copiar o ídolo, não consegue e cria algo dele no processo. Ainda falando de guitarristas de sucesso, quando eles resolveram “copiar” arranjos para violinos e metais por exemplo, veja o quanto a música deles cresceu! É a coisa do “quem copia e é pego, é ladrão. Quem copia e ninguém percebe é gênio”. Dentro do Show Business você teve o American Idol que foi um sucesso. Daí não demorou para aparecerem vários programas copiando a fórmula. Tivemos Charlie Brown Jr e CPM22 e seus sucessos trouxeram uma tonelada de bandas soando exatamente iguais a eles. O exato não funciona, ninguém quer ouvir a cópia e ela sempre vai estar abaixo da original. Copie algo inusitado dentro de algo novo e veja o que acontece!

ON STAGE LAB: E para finalizar, quais os conselhos de Caio Norcia para quem quiser seguir nessas carreiras musicais?
CAIO NORCIA: Para qualquer carreira hoje, seja a de Engenheiro de Som, de Road Manager, Produtor Musical ou Produtor Artístico, você precisa estar antenado com seu público, que são seus futuros clientes. Então começar a se divulgar, aparecer, seja notado, faça muito network e exponha seu trabalho de alguma forma. O importante é não esperar estar preparado. Isso não existe. Você se ajusta à medida que vai fazendo e aprendendo com o processo. Comece com o que tem e faça o que você pode. Tenha certeza que tem alguém aí fora esperando o que você tem para dizer. E estude muito! Sempre!
Abraços a todos e muito obrigado!

Caio Norcia

 

ON STAGE LAB: Qual foi o seu primeiro contato com o meio artístico?
CAIO NORCIA: Olá a todos! Bom, vamos lá! Meu primeiro contato com o mundo artístico foi aos sete anos de idade, quando minha mãe, decoradora na época, conheceu o pai do Luciano do Trem da Alegria, grupo infantil que estava estourado em todo o Brasil. Conheci o Luciano e logo viramos melhores amigos, eu o acompanhava a shows e programas de TV. Nesse momento entrei num grupo infantil e comecei a ter um pouco do gostinho do mundo artístico também.

ON STAGE LAB: Qual foi o seu primeiro contato com o meio artístico?
CAIO NORCIA: Olá a todos! Bom, vamos lá! Meu primeiro contato com o mundo artístico foi aos sete anos de idade, quando minha mãe, decoradora na época, conheceu o pai do Luciano do Trem da Alegria, grupo infantil que estava estourado em todo o Brasil. Conheci o Luciano e logo viramos melhores amigos, eu o acompanhava a shows e programas de TV. Nesse momento entrei num grupo infantil e comecei a ter um pouco do gostinho do mundo artístico também.

ON STAGE LAB: Qual foi o seu primeiro contato com o meio artístico?
CAIO NORCIA: Olá a todos! Bom, vamos lá! Meu primeiro contato com o mundo artístico foi aos sete anos de idade, quando minha mãe, decoradora na época, conheceu o pai do Luciano do Trem da Alegria, grupo infantil que estava estourado em todo o Brasil. Conheci o Luciano e logo viramos melhores amigos, eu o acompanhava a shows e programas de TV. Nesse momento entrei num grupo infantil e comecei a ter um pouco do gostinho do mundo artístico também.