Receita digital ultrapassa vendas físicas pela primeira vez na indústria musical

O mercado global musical finalmente conquistou o mundo digital: serviços online agora são responsáveis por 45% das receitas de músicas gravadas e deixou para trás as vendas físicas pela primeira vez, de acordo com números lançados pela empresa de comércio global IFPI, em relação à indústria em 2015.

Os números mostram crescimento em área importantes: o total da receita gerada pela venda de músicas aumentou 3.2%, para US$15 bilhões. As vendas digitais aumentaram para 10.2%, mesmo que a receita de downloads tenha caído 10.5%. As vendas físicas caíram 4.5%, mas ainda representam 39% de toda a receita gerada pela venda de músicas, todos bons números, mesmo com as quedas de receitas em algumas categorias.

Os números globais também foram igualmente positivos: um crescimento baixo, mas estável de singles foi registrado na América do Norte (+1.4%) e na Europa (+2.3%), enquanto a Ásia e América Latina aumentaram em 11.8% a receita de streaming, totalizando 80.4% de aumento no faturamento mundial de streaming.

 

Outro dado importante que mostra como o mercado digital cresceu é o aumento nas assinaturas de serviços de streaming. A renda de assinaturas, pulou de US$58.9 milhões para US$2 bilhões. O número de assinantes cresceu 66%, para 68 milhões, enquanto o número de novos assinantes, 27 milhões, foi duas vezes maior que em 2014, e três vezes maior que o número em 2013.

O valor total das vendas digitais chegou a US$6.7 bilhões (um crescimento de 10.2% em relação ao ano anterior), com receitas de streaming (que incluem contas premium e gratuitas, com propagandas) escalando massivos 45.2%, equivalentes a US$2.9 bilhões. Isso foi suficiente para compensar a queda de 10.5% nas vendas de downloads (US$3 bilhões) e 4.5% de queda nas vendas físicas.

Enquanto isso, a receita de diretos autorais aumentou 4.4%  (US$ 2.1 bilhões), se tornando uma das fontes de receita mais consistentes da indústria. Os direitos de perfomance representam atualmente 14% da receita mundial da indústria. O streaming representa 19% das vendas globais, um aumento de 14% em relação à 2014.

Ao criticar serviços com propaganda, a IFPI se juntou a uma lista crescente de empresas e executivos do show business a criticar o YouTube por pagar royalties que são relativamente baixos quando se considera sua popularidade. O relatório argumenta que o YouTube distorce suas negociações com gravadoras ao se esconder atrás do “porto seguro” que são as regras do DMCA (Digital Millennium Copyright Act) que limitam a responsabilidade de intermediários online em relação as infrações cometidas por seus usuários. O resultado, de acordo com a argumentação da IFPI, é que o YouTube pode “agir primeiro e negociar depois”, atitude que “fundamentalmente distorce o processo de negociação.” Enquanto o Spotify paga em torno de 18 dólares por usuário de seu serviço para cada artista anualmente, o valor pago pelo YouTube é de “menos de um dólar.”