Streaming vira a menina dos olhos do mercado fonográfico

O modelo de acesso à música é sem dúvida o futuro da indústria, e seus serviços estão finalmente mostrando um vislumbre de todo seu potencial. Não existem esperanças de conseguir 100 milhões de assinantes nos Estados Unidos em breve, mas entre o forte aumento de assinaturas e de visibilidade de marcas, o streaming é agora uma oportunidade, e não (apenas) um problema.

Esses ganhos amenizaram a ansiedade que os serviços de streaming inicialmente causaram na indústria musical pelos últimos cinco anos. As pessoas se sentiam mais confortáveis e reclamavam menos, e havia menos foco nas taxas de royalties – embora os participantes da indústria tenham saído do tópico com dificuldade – e mais atenção foi dada aos modelos de negócio possíveis, aumento de oportunidades e o valor em consertar problemas de metadata.

Novos números, lançados hoje pela RIAA (Recording Industry Association of America), ajudam a explicar o ajuste da atitude da indústria

Talvez isso devesse se chamar “o efeito Apple.” Fontes nos serviços de assinatura disseram a revista Billboard que recentemente viram um aumento que aconteceu, mesmo que apenas em parte, graças à chegada do Apple Music e o resultado aumentou conhecimento do consumidor sobre streaming. Já foi discutido diversas vezes que o maior problema do modelo de assinaturas é o conhecimento e a educação. E parece que a Apple diminuiu um pouco esses percalços.

Embora seja difícil de quantificar a contribuição da Apple Music, pesquisas apontam que o conhecimento do consumidor sobre várias marcas de streaming aumentou no ano passado. No começo de 2015, a Beats Music, predecessora da Apple Music, tinha apenas 27% de conhecimento dos consumidores. Um ano depois, a Apple Music – o novo nome da Beats Music – conseguiu atingir 67% desse mercado. Outras marcas de streaming também viram uma melhora notável: Pandora cresceu de 75% para 82%, Spotify passou de 41% para 52% e o Amazon Music de 41% para 51%.

O uso de serviços de assinatura também aumentou. A porcentagem de pessoas entrevistadas que tinham escutado o Spotify no mês anterior subiu de 8% em 2014, para 11% em 2015 e 13% no começo desse ano. O serviço é especialmente popular entre os consumidores mais jovens – quase uma em três pessoas do grupo de 12-24 anos disse que usou o serviço do Spotify no mês anterior.

Todas essas melhorias nem incluem duas novas fontes de receita. Uma delas é a parceria do Dubset com a Apple Music, que ira fornecer para o serviço remixes e Dj mixes que anteriormente não tinham licença de uso de direitos autorais. A tecnologia do Dubset identifica gravações com esses mixes, as distribui para a Apple Music e dá os royalties para seus donos de direito, as gravadoras e publishers, de acordo com o uso de seus trabalhos em um remix particular. Essa tecnologia eventualmente irá expandir para outros serviços digitais e deve gerar uma receita significativa de remixes que já existiam mas não eram rentabilizados. A outra fonte é o SoundCloud, um serviço de streaming que atualmente é pouco utilizado. Acordos de licença com os três grandes serviços de streaming abriram caminho para um serviço de assinatura que, como o Dubset, vai gerar receita onde anteriormente não havia.

No início dos serviços de assinatura – de 2006 a 2010 – as pessoas propunham diferentes modelos de negócio que iriam fazer a indústria crescer novamente. Alguns desses modelos tinham como objetivo faturar em cima da pirataria. Houve uma tentativa de faturar em downloads feitos por plataformas de torrent (peer-to-peer), mas ela falhou por falta de metadados. Muitas pessoas propuseram uma taxa nos serviços de banda larga que iria compensar os donos dos direitos autorais enquanto permitiam que as pessoas adquirissem músicas como quisessem. Também houveram tentativas de criar pacotes com empresas de telefonia (com maior sucesso) e eletrônicos (com menos sucesso).

O esquema atual é diferente dessas propostas. As gravadoras fizeram os consumidores pagarem pelo streaming premium e – por lei – permitiram que ouvissem música por streaming gratuitamente, mas com restrições. Existem problemas, mas houve progresso. Fazer dinheiro com YouTube e outros serviços de vídeo ainda é um trabalho em progresso, mas esse setor também conseguiu evoluir. E pessoas ainda compram downloads. A indústria pode não estar fazendo dinheiro com cada conexão da internet, mas está ganhando uma quantia estável e respeitável no momento.