Uma noite com Opie Skjerseth

Aconteceu ontem na On Stage Lab, o bate-papo com Dale “Opie” Skjerseth, atual diretor de produção da Olé Tour, dos Rolling Stones, que está de passagem pela América Latina e Brasil. Com 35 anos de experiência em turnês de artistas como Madonna, AC/DC, Black Sabbath e Michael Jackson, o produtor contou um pouco sobre suas experiências na estrada, como lidar com tanta pressão e responsabilidade de cuidar de equipes com centenas de pessoas, além de, é claro, ter que lidar e não temer artistas tão famosos.

O começo de sua carreira não foi fácil. Era um mercado ainda em desenvolvimento, onde todos faziam de tudo, as equipes e palcos eram pequenos e as pessoas não sabiam exatamente o que estavam fazendo. Até hoje ele leva a filosofia de que o trabalho de absolutamente todos, desde o iluminador ao vendedor de merchandising é essencial para que a banda suba no palco no final do dia.

Ao redor do mundo todos temos a mesma missão: levar entretenimento para as pessoas

Opie ficou feliz em ver quantas mulheres estavam presentes e interessadas em trabalhar na indústria, já que seu braço direito é sua assistente Debbie. “Quando trabalhei com o AC/DC pela primeira vez, só havia duas mulheres na equipe, mas com a primeira turnê dos Stones a situação melhorou um pouco, com 26 mulheres.” Ele já trabalhou com equipes somente de mulheres em eventos como o Coachella e foi só elogios: “Elas me mantinham na linha e atualizado sobre tudo. As mulheres estão ganhando cada vez mais força e espaço no mercado, e a tendência é se manter assim.”
Ele comentou sobre os maiores desafios em turnês gigantescas como as que ele costuma trabalhar. “Realmente o maior desafio de gerenciar equipes tão grandes é reunir todo mundo e fazer com que saibam de tudo que está acontecendo, além de passar a visão do artista, que é exatamente o que ele quer com esse show, para que tudo saia exatamente como o imaginado por ele. E quando tudo está alinhado, é possível fazer qualquer coisa com a força do time.”

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Uma pessoa que prefere aprender lições com os problemas das turnês e depois esquecê-los, ele afirma que nem sempre a vida na estrada foi fácil, mas que sempre há uma luz no fim do túnel, “já que esse é o melhor emprego do mundo.” Para sobreviver na profissão é essencial se adaptar ao artista e aos profissionais locais, já que cada turnê tem um modelo diferente.” Ele também se preocupa em compartilhar o conhecimento com profissionais da área, já que por ser um dos pioneiros da indústria, ele não quer que todo o conhecimento que ele adquiriu com tantas turnês e situações em diferentes continentes se perca.

Ao ser questionado por uma convidada sobre como ele controla a ansiedade e a pressão de ser responsável por produções desse porte, ele disse que conversava muito com sua mãe, além de meditar e pesquisar sobre filosofia oriental, mas que o livro “A Arte da Guerra” de Sun Tzu foi essencial para que ele começasse a ver as coisas de maneira mais “contornável” e positiva, além de aprender a lidar com a ansiedade, pois para evoluir nessa indústria é necessário manter a calma para poder ver tudo com mais foco. Além disso ele comentou sobre a importância de nunca mostrar medo. “Seja o Mick Jagger ou a Madonna, se você sabe que fez tudo ao seu alcance, trabalhou duro e direito, não há o que temer, mesmo que o resultado final não seja o esperado.”

Sobre os Rolling Stones, ele comentou que geralmente uma turnê leva alguns meses para ser desenhada e construída, mas que já precisou montar tudo em apenas oito semanas. Sobre seu pior momento com eles? “Ter que contar para o Mick que os telões de seu show em Copacabana não iriam funcionar alguns minutos antes do show. Eu achei que meu telefone iria tocar no dia seguinte e que seria demitido! Não é fácil tomar coragem para contar isso para um artista tão performático, mas no final das contas conseguimos fazer tudo funcionar no último instante e o show foi um sucesso!”