“Uma ocasião importante”: o primeiro show headliner de uma artista feminina na Arábia Saudita

Marcando o capítulo mais recente nas atitudes cada vez mais liberais do reino em relação à música, a cantora egípcia Nihad Fathy tornou-se a primeira a se apresentar para uma plateia mista.

Fez-se história, no dia 25 de abril, quando uma cantora apresentou-se para uma plateia mista (ao invés de uma inteiramente feminina) pela primeira vez.

A cantora egípcia Nihad Fathy, apoiada pelo Arab Music Ensemble (AME) do Egito, tocou para uma plateia de 2.500 pessoas no King Fahad Cultural Center em Riade, a capital da Arábia Saudita.

O show marcou o capítulo mais recente da iniciativa Vision 2030 do Príncipe Mohammed bin Salman na qual, entre outros objetivos, pretende desenvolver uma indústria doméstica de entretenimento ao vivo no conservador reino islâmico. Em Setembro do ano passado, a Autoridade Geral para Entretenimento – órgão responsável para gerar crescimento no setor de entretenimento – anunciou a criação de um fundo de US$2,7 bilhões com o qual pretendem atrair parceiros internacionais, e disse em Fevereiro que a Árabia Saudita receberá 5 mil shows em 2018, incluindo “alguns dos maiores nomes da música mundial”.

A música ao vivo contribui com grande parte da receita da indústria da música no Oriente Médio e Norte da África mais do que em qualquer parte do mundo – 90%, comparado com cerca de 65% no resto do mundo – e o investimento estrangeiro está chegando nos países vizinhos, como Israel, Dubai, Abu Dhabi e Qatar.

“É uma ocasião importante para os sauditas”

Comentando sobre o show do AME, o ministro da Cultura da Arábia Saudita Awwad Alawwad – que começou o evento com o seu colega egípcio – disse: “É uma ocasião importante para os sauditas. Esse evento é uma realização de um dos conceitos principais do Vision 2030 […], que é a reforma cultural e social através da inclusão e participação. É um momento transformador na evolução da Arábia Saudita em uma sociedade e economia mais vibrantes.”

“A cultura histórica e rica do Egito tem uma ressonância especial na Arábia Saudita, e os milhares de sauditas que compareceram a esses shows são uma prova disso.”

Em Março de 2017, a capital Riade recebeu seu primeiro show desde 1988 – a música é geralmente considerada um pecado (haram) pelas autoridades religiosas do reino – marcando o início de uma grande mudança social no país.

Fonte: IQ Magazine