Vencendo no clube do bolinha

O relato abaixo é de Lynne King Smith, CEO da TicketForce e moderadora do painel de Liderança Feminina no PollstarLive 2016, um dos maiores eventos da indústria da música.

“Eu acabei de ter uma das melhores horas que tive nos últimos meses. Talvez anos. Eu quero acreditar que defendo as mulheres sucedendo em suas carreiras, negócios e vida – mas não é sempre que posso ver a energia de dezenas de mulheres juntas em uma sala falando sobre seus sucessos, frustrações, sonhos e esperanças.”

Além de Lynne, presentes em seu painel estavam também as seguintes profissionais (e rockstars, de acordo com ela)Corrie Christopher Martin – Paradigm Music

Jodi Goodman – Presidente da Live Nation Northern CA

Julia Hartz – Presidente e Co-Fundadora da Eventbrite

Laurie Jacoby – Vice-Presidente da MSG Entertainment

Brandie Louck – Produtora de eventos ao vivo e Diretora de Produção

Nadia Prescher – Fundadora da Madison House, Inc.

“Nós tivemos algumas oportunidades de conversar pelo telefone e uma hora antes do painel começar, então eu sabia que os anos de experiência e camaradagem seriam poderosos. Minha esperança era que a franqueza e a abertura viriam à tona quando nós adicionássemos microfones e uma plateia.

O PollstarLive representa todas as facetas da indústria da música e dos eventos ao vivo: aqui você tem promotores, agentes, produtores e locais de eventos. Indústrias que em sua grande maioria são dirigidas por homens. Onde a mulher geralmente entra em uma sala ou conversa como a única mulher da mesa. Onde intimidação, força e confiança são pelo menos metade do jogo.Eu simplesmente não estava preparada para as dezenas de mulheres na audiência. E eu fiz o meu melhor para ficar atenta e me conectar à plateia – vendo os acenos com a cabeça que concordavam com o que dizíamos, emoções intensas e o mesmo nível de respeito e surpresa que eu sentia. Aquelas que, por acaso estavam no palco, compartilhavam experiências que eram – mesmo que variadas – similares a coisas que todas nós compreendíamos.

Eu era uma dessas garotas que preferia brincar com garotos. Eu evitava encontros só com mulheres pensando que, seu eu queria brincar com os garotos, eu tinha que ser um dos garotos.

boysclub

Mas a sabedoria no palco e na sala afirmou o que eu agora sei que é verdade: quando nos apoiamos, somos mais fortes. Não importa o que você esteja passando, tem outra mulher que entende. Ser uma “vaca” nem sempre é uma coisa ruim. Ser dura não significa gritar. Nós somos o nosso pior inimigo. Acredite que você consegue. Empatia e inclusão são sinais de força, não de fraqueza.

Às vezes eu me preocupo que fizemos tanto progresso – e de fato nós fizemos – que nós iremos parar de lutar. Mas, embora a nossa força de trabalho seja mais de 50% composta por mulheres – nossos líderes não são. O preconceito de gênero ainda é uma força dominante em basicamente todas as indústrias, que mantém mulheres presas aos mesmos trabalhos e vagas, impede que elas consigam promoções e tenham um salário menor pelo mesmo trabalho.

Olhe só – nós temos um presidente negro nos EUA que foi eleito não apenas uma vez, mas dias. E por isso, alguns diriam que os Estados Unidos resolveram seu problema de racismo! Um presidente negro! Não existem mais barreiras raciais.

E ainda assim, desde 2008, nós ainda vemos racismo por toda a parte. Violência, lutas, marchas. Vidas Negras Importam (Black Lives Matter) nem era um movimento antes de nosso primeiro presidente negro. E ele nasceu por conta da violência contra negros nas ruas por todo o país.

Sim, nós temos mulheres com altos cargos na indústria. Mas isso significa que o preconceito de gênero acabou? A sala lotada de mulheres em um painel de como vencer em sua indústria diz o contrário.

Eu estou inspirada porque eu acredito que a pior coisa seria uma mulher dizer – eu não vejo isso. eu não sinto isso. Eu sou abençoada por ter oportunidades nesse campo sem preconceitos. Mas os olhares, acenos, aplausos e interesse intenso hoje me deram esperança. EU acredito que nós estamos no começo de um segundo movimento das mulheres. Onde nós não estamos mais satisfeitas por ter um lugar na mesa, nós estamos prontas para sentar na cabeceira da mesa. Para liderar com empatia, força e qualquer outra coisa necessária no dia. Se apoiando, umas nas outras.

E para os poucos homens na sala, obrigada. Obrigada por entender. Por ver o melhor em todos. E por entender que uma luta EXISTE. Nós não terminamos ainda.”